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5 Leituras #5, por Paulo Guinote: A importância da equidade e das Humanidades no Ensino

Sugestões de leitura de Paulo Guinote, o autor de «Educação e liberdade de escolha». Novo artigo da rubrica «5 Leituras» da FFMS.

Novo artigo da rubrica «5 Leituras», em que um autor da Fundação sugere a leitura de cinco artigos publicados na internet, em língua portuguesa ou inglesa. Desta vez publicamos as sugestões de Paulo Guinote, o autor de «Educação e liberdade de escolha».

'It's a political failure': how Sweden's celebrated schools system fell into crisis
Artigo de Sally Weale para o Guardian
(Em língua inglesa)

Apresentada como modelo por muitos dos defensores das reformas no sentido da liberdade de escolha ou da descentralização municipal em Educação, a Suécia tornou-se um exemplo maior do falhanço dessas mesmas medidas com a queda dos resultados dos seus alunos nos testes comparativos internacionais (como os PISA), o aumento da desigualdade entre as escolas e o alargamento do fosso entre os melhores e piores desempenhos dos alunos num país que se orgulhou de estar no topo do índice Gini. Com realismo e admitindo o falhanço, nos últimos anos deu-se uma reversão de muitas das medidas tomadas desde os anos 90 do século XX. No entanto, quando se debatem em Portugal estes temas é raro reconhecer-se o falhanço de medidas que ainda nos tempos actuais se apresentam como se fossem as melhores e mais virtuosas.

National School Climate Standards Benchmarks to promote effective teaching, learning and comprehensive school improvement
Estudo do National School Climate Centre
(Em língua inglesa)

O ambiente de escola é algo que nem sempre é tido em consideração quando se analisam os factores de sucesso das aprendizagens dos alunos. Ou então é associado de forma simplista apenas às condições das instalações escolares. Mas o ambiente de escola é muito mais do que isso, em especial se nos preocuparmos com a segurança dos alunos nas suas mais variadas dimensões e com o que é necessário para que eles se sintam plenamente confiantes no espaço escolar e nas salas de aula para desenvolver todo o seu potencial. Quando se fala muito na necessidade de "mudar" ou "reformar" o funcionamento das escolas no sentido do "interesse dos alunos", a minha prioridade passa sempre por pensar a escola e a sala de aula como um espaço seguro a todos os níveis. Aqui pode encontrar-se outro texto que relaciona o ambiente de escola com o sucesso das aprendizagens.

Education Equity and Social Cohesion: A Distributional Model
Estudo de Andy Green, John Preston and Ricardo Sabates para o Centre for Research on the Wider Benefits of Learning
(Em língua inglesa)

Este artigo não é muito recente e outros poderiam ser propostos, mas este é interessante porque é contemporâneo de uma investida mais forte no sentido da transformação da Educação numa espécie de "mercadoria" a gerir de acordo com os princípios de uma qualquer empresa, em que o que interessa é reduzir despesas e não reforçar o papel da Educação como factor de coesão social e de equidade. O trabalho em equipa de Andy Green nesta área continuou ao longo dos anos e pode aqui ser lida uma recensão a uma das suas mais recentes obras em colaboração.

Not for Profit: Why the Democracy needs the Humanities
Artigo de Andrew Roth para The Washington Post
(Em língua inglesa)

Este pequeno livro de Martha Nussbaum é muito importante para demonstrar que o sistema político democrático precisa de uma Educação plural e não limitada a um grupo duro de disciplinas que privilegiam prioritariamente as ciências ditas exactas, as tecnologias e a Matemática. O estudo das Humanidades é crucial para que os indivíduos se apercebam do seu lugar no tempo e no espaço e sejam capazes de contextualizar o que os envolve no trajecto histórico das sociedades. Por isso, a lógica do "lucro" ou da aplicação imediata dos conhecimentos em termos "empresariais" não pode ser o argumento essencial para a definição do currículo escolar em qualquer nível de ensino. Porque retirar ou menorizar as Humanidades significa retirar ou menorizar o que de mais humano existe na própria Educação, tornando-a uma espécie de esqueleto que pode ser funcional mas perdeu a alma. E isso pode significar a diferença entre ter cidadãos capazes de compreender e defender a Democracia ou autómatos programáveis como se não tivessem passado ou Memória. Leia aqui uma recensão ao livro.

Pedagogical Knowledge and the Changing Nature of the Teaching Profession
Estudo editado por Sonia Guerriero para a OCDE
(Em língua portuguesa)

Os tempos são de enorme pressão sobre os professores, no sentido de se adaptarem com uma grande rapidez às mudanças que envolvem a escola, os alunos e a própria prática docente, atendendo aos progressos tecnológicos. No entanto, todas essas exigências andam a par, como em Portugal, com uma prática política que desvaloriza a docência como profissão altamente qualificada, que tem proletarizado as condições materiais do professorado e que não hesita em responsabilizar os professores sempre que algo corre mal, mas que os esquece quando o desempenho dos alunos portugueses melhora nos testes internacionais. Este relatório da OCDE é mais um dos documentos que ajudam a relembrar que a motivação dos professores é um factor decisivo para o seu desempenho, assim como o seu envolvimento na tomada de decisões que afectam a sua profissão e o seu quotidiano é imprescindível para que não se sintam meras peças de uma engrenagem desumanizada.

Paulo Guinote é autor de «Educação e liberdade de escolha», um ensaio publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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