Mulheres
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Estudam mais, mas recebem 20% menos do que os homens. Retrato das mulheres portuguesas

Assinalamos o Dia Internacional da Mulher com um resumo de dados estatísticos da Pordata sobre as mulheres portuguesas.

Quantas mulheres vivem em Portugal? Quantos anos vivem? Quantos filhos têm e com que idade se casam? Quantos anos estudam? Que remuneração têm? Como estão representadas nos sistemas judicial, de saúde e político? Com dados da Pordata, fazemos um retrato panorâmico da vida das mulheres em Portugal.

População: sabia que vivem mais mulheres do que homens em Portugal? Em 2015, residiam no nosso país 5,4 milhões de mulheres e 4,9 milhões de homens. Numa frase, havia 99,7 homens por cada 100 mulheres. Mas... como pode isto ser, se nascem mais homens do que mulheres? Bom, terá muito que ver com a duração da vida de uns e outros: em 2014, a esperança média de vida era de 77,4 anos para os homens e de 83,2 anos para as mulheres.

Casamento e fecundidade: sabia que, desde 2012, a maioria da população estrangeira residente em Portugal é feminina? São 3,7% da população. Mas essas mulheres, esses 3,7% da população, são responsáveis por 8,4% dos nascimentos. As mulheres portuguesas têm cada vez menos filhos: uma média de 1,3 filhos por mulher em 2015 (a média na União Europeia foi 1,58). Desde 1982 que Portugal não ultrapassa o limiar necessário para a renovação das gerações: 2,1 crianças por mulher. Mais: o primeiro filho surge cada vez mais tarde na vida das mulheres portuguesas: 6 anos mais tarde do que em 1970. E o casamento? 7 anos mais tarde. Por outro lado, desde 1985 quase todos os partos acontecem em estabelecimentos de saúde. Para terminar: em Portugal, a esmagadora maioria (88%) dos adultos que vivem sozinhos com crianças são mulheres.

Educação: Portugal continua a ser um dos países da União Europeia onde as mulheres têm menor escolaridade (27º lugar em 28 países): só 48,6% das mulheres portuguesas têm o ensino secundário ou superior. A percentagem está muito abaixo da média comunitária: 76,4%. Ainda assim, estes 48,6% reflectem um avanço significativo nos últimos anos: em 1992, só cerca de 20% das mulheres inham o ensino secundário ou superior. O avanço das mulheres na educação aconteceu em vários domínios: hoje em dia, abandonam menos a escola do que os homens; ultrapassam os homens em matrículas e diplomas do ensino superior; e já estão em maioria no número de doutoramentos realizados em Portugal.

Sabia que a diferença salarial entre homens e mulheres é mais acentuada nos quadros superiores e nos profissionais altamente qualificados? E que essa diferença não tem diminuído?

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Emprego: em 2015, as mulheres recebiam em média uma remuneração 17% inferior à dos homens. No entanto, se considerarmos o ganho efectivo que inclui subsídios, prémios e pagamentos por horas extraordinárias, essa disparidade é ainda maior: de -20%, ou seja, as mulheres recebem menos 1/5 do salário dos homens. Sabia que a diferença salarial entre homens e mulheres é mais acentuada nos quadros superiores e nos profissionais altamente qualificados? E que essa diferença não tem diminuído? E sabia que as mulheres são 31% dos empregadores portugueses? Por fim, damos-lhe nota de que a taxa de desemprego das mulheres é semelhante à dos homens. No entanto há diferenças em termos de escolaridade: as mulheres com escolaridade mais baixa têm uma taxa de desemprego inferior à dos homens; mas as mulheres com taxa de escolaridade mais alta têm uma taxa de desemprego superior.

Justiça, saúde, desporto e outros assuntos: As mulheres são, desde 2007, a maioria dos magistrados judiciais e, desde 2006, a maior parte dos advogados em Portugal. São também, desde 2010, a maioria dos médicos: o número de médicas duplicou desde o início da década de 1990. Noutros aspectos da vida em sociedade, porém, as mulheres são minoritárias: utilizam menos a internet e praticam menos desporto. E, também importante, apenas 1/3 dos deputados na Assembleia da República são mulheres. São 76 deputadas. Em 1975 eram apenas 19.

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