Encerramento de multinacionais
Economia e Políticas Económicas

Encerramento de multinacionais

Publicado em outubro 2018

O que fica quando a multinacional sai?

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Nas últimas décadas, as subsidiárias das empresas multinacionais (EMN), isto é, aquelas empresas em que uma parte do capital social pertence a uma empresa-mãe com capital social estrangeiro, converteram-se em pilares fundamentais da economia dos países de acolhimento. O encerramento de uma subsidiária pode acarretar perdas avultadas, quer em termos financeiros, quer em termos de prestígio para a empresa, assim como problemas significativos tanto para os trabalhadores como para as comunidades no seu todo. Quando, em 2012, a AstraZeneca, uma EMN farmacêutica com sede no Reino Unido, anunciou o encerramento da sua unidade sueca de investigação e desenvolvimento (I&D), perderam-se 1200 postos de trabalho e o governo sueco viu-se obrigado a encetar esforços consideráveis para limitar tanto as consequências negativas sobre a região de Lund, como os efeitos prejudiciais sobre a competitividade internacional da indústria farmacêutica sueca. No contexto português temos o exemplo da Rohde, uma subsidiária alemã que operava no sector do calçado, amplamente noticiado e alvo de discussão pública. A empresa encontrava-se em Portugal desde 1984 e tinha a sua produção orientada para a exportação. A Rohde contava com duas fábricas: uma em Santa Maria da Feira e outra em Pinhel. Detinha ainda cinco lojas próprias: quatro na zona norte e uma em Lisboa. A empresa acabaria por fechar as instalações produtivas de Pinhel (em 2006) e de Santa Maria da Feira (em 2010). Em Pinhel, a Rohde chegou a contar com mais de 700 trabalhadores e, quando encerrou, a unidade empregava cerca de 370 funcionários, o que representava aproximadamente 16% da população activa do concelho. Em 2010, o encerramento da fábrica de Santa Maria da Feira levou à destruição de aproximadamente 970 postos de trabalho. Este caso suscitou polémica visto que a subsidiária recebeu vários apoios nos últimos anos, nomeadamente, uma subvenção do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG) de 1,4 milhões de euros. Muito poucos estudos, porém, investigam as consequências que os encerramentos de subsidiárias de EMN exercem sobre o país de acolhimento. Isto não deixa de ser surpreendente, uma vez que o anúncio do encerramento de subsidiárias, como foi o caso da unidade de produção de chips de computadores da Qimonda em Vila do Conde, em 2007, suscita, por regra, uma cobertura mediática intensa e negativa, bem como protestos inflamados, reflectindo as perturbações que o encerramento de subsidiárias causam na vida dos trabalhadores locais da empresa, nas restantes empresas da região e na comunidade no seu todo. Compreender os factores subjacentes à longevidade das subsidiárias das EMN é fundamental, não só para os trabalhadores das subsidiárias, como para os gestores das EMN que fazem avultados investimentos e ainda para os decisores políticos que se veem a braços com as consequências do fecho.

Projecto

Coordenadores: Pedro de Faria (Universidade de Groningen)

Resumo do estudo - Encerramento de multinacionais
Economia e Políticas Económicas

Resumo do estudo - Encerramento de multinacionais

Publicado em outubro 2018

Resumo do estudo

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Sinopse

Este Resumo procura expor as principais conclusões do estudo «Encerramento de multinacionais: o capital humano que fica».

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