Educação

Será a repetição de ano benéfica para os alunos?

PUBLICADO EM outubro 2016
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Sinopse

O objectivo deste trabalho é medir o impacto resultante do facto de se obrigar um aluno a repetir um ano no seu desempenho académico subsequente. Pretende-se responder à seguinte questão: para os alunos que ficaram retidos, como é que os seus resultados académicos se comparam com os resultados académicos que teriam tido se não tivessem ficado retidos?

Projecto

Neste trabalho estuda-se os efeitos da decisão de retenção/transição de alunos do 4.º ano na sua trajectória escolar e analisamos os seus efeitos até 3 anos após essa decisão. Olha-se para a progressão subsequente dos alunos em termos das notas obtidas nas provas nacionais do 6.º ano e do número de retenções futuras. Outras consequências relevantes, também estudadas na literatura, como a escolha da via de ensino, a probabilidade de abandono precoce, ou o desempenho no mercado de trabalho, não são consideradas no nosso estudo.

Para superar o problema de endogeneidade descrito acima e isolar o efeito causal da retenção, tira-se partido do facto de em Portugal, nos anos em análise, todos os alunos terem sido sujeitos a provas nacionais no 4.º e 6.º anos de escolaridade e de os resultados obtidos na prova de 4.º ano não determinarem se um aluno ficava retido ou transitava para o ano seguinte.

A nossa estratégia consiste em focar a análise numa amostra de alunos com baixo desempenho, aumentando a comparabilidade entre alunos retidos e transitados. A nossa amostra é constituída por alunos do 4.º ano matriculados em escolas públicas portuguesas em 2006-07 que obtiveram nota negativa em ambas as provas nacionais de Matemática e Português.

Adicionalmente, porque ainda subsistem, mesmo assim, algumas diferenças entre o grupo de alunos retidos e o grupo de não retidos, faz-se uma análise que permite controlar o efeito de várias características observadas de cada aluno. Finalmente, para corrigir possíveis enviesamentos criados pela existência de outras variáveis que afectam simultaneamente a decisão de retenção e o desempenho futuro dos alunos, mas para as quais não existem dados (ex. maturidade e motivação), implementa-se um método mais robusto que utiliza uma variável instrumental que captura a cultura de retenções prevalecente em cada município.

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