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Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o impacto da retenção em alunos com baixo desempenho escolar.

Será a repetição de ano benéfica para os alunos?

Haverá algum benefício em reter alunos com mau desempenho escolar? Para os alunos que ficaram retidos, como é que os seus resultados académicos se comparam com os resultados académicos que teriam tido se não tivessem ficado retidos? Encontra a resposta a estas questões neste estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
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Estudo Será a repetição do ano benéfica para os alunos, da Fundação Francisco Manuel dos Santos

De acordo com os dados da OCDE para 2012, 12% dos alunos de 15 anos dos países da OCDE indicaram que tinham repetido pelo menos um ano durante a escolaridade obrigatória, e 7% dos alunos tinham repetido um ano pelo menos uma vez nos dois primeiros ciclos (primária). A incidência da retenção é bastante heterogénea entre países, indo de nenhuma retenção em alguns países, como o Japão e a Noruega, até um conjunto de países, Portugal incluído, onde entre 30% a 39% dos alunos repetem um ano pelo menos uma vez antes dos 15 anos de idade.

O impacto das decisões de retenção/transição no percurso académico, profissional e social dos alunos é uma questão controversa. Os defensores de políticas que incentivam a retenção dos alunos com baixo desempenho acreditam que a repetição de ano oferece a estes alunos uma oportunidade para amadurecerem e dominarem matérias e conteúdos que não foram devidamente aprendidos, antes de terem de confrontar temas mais complexos. Mais, argumentam que a retenção pode promover uma maior homogeneidade entre estes alunos e os seus pares, poupando-os a uma maior frustração diária. Os críticos da retenção, ou defensores da “transição social”, por seu lado, temem que os alunos retidos possam ser prejudicados pela estigmatização, redução das expectativas sobre o seu desempenho académico por parte dos professores e pais, autoperceção de reduzida competência e baixo potencial e ainda pelos desafios de adaptação a um novo grupo de colegas. No conjunto, acreditam que estes fatores podem eliminar quaisquer benefícios que possam derivar de se repetir o ano, aumentando a ansiedade do aluno e o seu distanciamento da escola, promovendo o mau comportamento e o abandono precoce.

Este estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos procura avaliar que impacto tem, no seu desempenho académico subsequente, a decisão de se obrigar um aluno a repetir um ano, debruçando-se sobre questões como:

 

  • os determinantes da retenção dos alunos com baixo desempenho;
  • o impacto da retenção nas notas em provas subsequentes;
  • o impacto da retenção no número de retenções futuras dos alunos


Para esse efeito, o estudo olha para os efeitos da decisão de retenção/transição de alunos do 4.º ano na sua trajetória escolar e analisamos os seus efeitos até 3 anos após essa decisão. Olha-se para a progressão subsequente dos alunos em termos das notas obtidas nas provas nacionais do 6.º ano e do número de retenções futuras. A Fundação procura, assim, dar ao público interessado e aos decisores políticos um conhecimento mais aprofundado sobre uma questão tão importante para a educação em Portugal.

O efeito geral da retenção na progressão escolar de um aluno de baixo desempenho é negativo. A progressão escolar nos anos subsequentes parece ser mais rápida para os alunos inicialmente retidos do que para os alunos que transitaram. Mas mesmo quando obtemos um efeito positivo da retenção na progressão escolar subsequente, esse efeito não é suficientemente forte para compensar o ano de atraso causado pela retenção inicial
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Estudo Será a repetição do ano benéfica para os alunos, da Fundação Francisco Manuel dos Santos