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Por terra, por mar e pelo ar: os transportes chegaram à Pordata

Por terra, por mar e pelo ar: os transportes chegaram à Pordata

A Pordata tem um novo tema: os transportes. Neste artigo falamos-lhe de como os transportes têm evoluído em Portugal.
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Rodoviário, ferroviário, metropolitano, marítimo e aéreo. A Pordata tem a partir de hoje dados estatísticos sobre o tráfego, o número de passageiros e o comércio nestes meios de comunicação. Entre muitos outros indicadores que pode explorar. Para já, deixamos-lhe alguns destaques.

 

Menos automóveis, menos gasolina e menos acidentes

Entre 2012 e 2014, no pico da crise económica, os portugueses travaram a fundo na compra de automóveis ligeiros. Depois de na década de 2000 terem sido feitos anualmente cerca de 300 mil pedidos de novas matrículas, 2012 ficou-se por 126 mil pedidos e 2014 recuperou para 200 mil pedidos. (Não há dados para 2013, mas presume-se que não sejam muito distintos.) Onde é que se nota mais essa quebra? Nos automóveis a gasolina.

Os dados dos acidentes rodoviários são claros: nas últimas décadas diminuiu o número de acidentes, assim como diminuíram o número de feridos e o de mortos. As crianças e adolescentes entre os 0 e os 14 anos são a faixa etária em que mais diminuiu o número de peões atropelados; e os homens, que eram as principais vítimas há 40 anos, são agora menos atropelados do que as mulheres.

Naturalmente (dada a proximidade geográfica), Espanha é ainda o principal país de origem das mercadorias que chegam a Portugal por via rodoviária: são cerca de 2/3 do total. Segue-se França. A mesma lógica se aplica ao destino das mercadorias rodoviárias portuguesas: cerca de 2/3 seguem marcha para Espanha e França. Acontece, porém, que Portugal importa mais mercadorias por via rodoviária do que as que exporta.

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Nas ferrovias há menos linhas e menos passageiros

A paisagem ferroviária portuguesa mudou muito nas últimas décadas: foi diminuído o número de estações e de passagens de nível e passou a haver mais linhas não exploradas. Paralelamente, diminuiu o número de trabalhadores nos serviços de transporte ferroviário.

Hoje há mais linhas electrificadas, o número de veículos de transporte ferroviário é menor e há menos acidentes, bem como menos feridos e menos mortos. O panorama é, no geral, muito diferente: se nas décadas de 80 e de 90 havia por ano cerca de 220 milhões de passageiros em viagens de comboio, o número registado em 2015 é pouco mais de metade: 130 milhões

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O transporte marítimo em Portugal tem vindo a crescer. É cada vez maior o número de contentores carregados e descarregados nos portos nacionais, assim como são mais os navios de passageiros e de cruzeiro que atravessam as águas marítimas portuguesas. Ainda que sobretudo em trânsito.

O Metro tem menos passageiros, menos funcionários e mais receitas

Depois do grande investimento em linhas e carruagens feito da década de 90, os serviços de transporte Metropolitano de Lisboa, do Porto e de Almada estão hoje em fase de "consolidação". Um dos indicadores que o demonstram é o do número de veículos, sensivelmente o mesmo daquela década.

Mas muito de essencial mudou: a média de passageiros no Metro diminuiu muito nos últimos anos face ao auge atingido nos anos 80 e até 1994. Com menos passageiros, o Metro de Lisboa é aquele onde mais se nota também uma diminuição acentuada no número de funcionários. Já nas receitas, o serviço metropolitano nacional parece estar de melhor saúde.

O Metro do Porto tem a maior extensão de rede metropolitana do país, mas perde em número de viagens para o Metro de Lisboa. A tendência, porém, aponta para cada vez mais viagens no Porto e menos viagens em Lisboa.

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Há (mais) mar e mar, há ir e voltar mais ou menos dos mesmos países

O transporte marítimo em Portugal tem vindo a crescer significativamente. É cada vez maior o número de contentores carregados e descarregados nos portos nacionais, assim como são mais os navios de passageiros e de cruzeiro que atravessam as águas marítimas portuguesas. Ainda que sobretudo em trânsito.

De onde provêm as mercadorias que chegam por mar a Portugal? Cerca de metade de outros países europeus, 1/4 de África e o outro 1/4 das Américas - sobretudo da Colômbia, muito mais do que do Brasil ou dos Estados Unidos. A Ásia representa uma percentagem ínfima. Talvez surpreendentemente, os PALOP representam apenas 3 milhões de toneladas do total de 45 milhões de toneladas (11 milhões das quais provenientes de África) descarregadas em 2015. 

Os países de destino das mercadorias portuguesas são praticamente os mesmos que de destino.

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Mais aviões, mais passageiros, mais Europa

Para terminar, os aviões. Primeira conclusão: os portugueses são hoje "mais aéreos" do que há 10, há 20, há 30 ou 40 anos. Isso fica claro com o aumento do número de passageiros em viagens aéreas a partir de Portugal, mas é claro também noutros indicadores: o número de linhas e a extensão das linhas aéreas aumentaramAumentou também a frota das companhias aéreas que operam em Portugal. 

Tão relevante quanto o aumento global no número de passageiros é o aumento do número de passageiros por voo. Os portugueses voam sobretudo para fora do país, e para a Europa mais do que qualquer outra região (os PALOP são, mais uma vez, um destino bem menos importante no total). Do mesmo modo, a maior parte dos voos para Portugal provém de países europeus.

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Consulte estes e outros dados sobre os transportes portugueses na Pordata.

O acordo ortográfico utilizado neste artigo foi definido pelo autor.

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