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Imagem de uma ampulheta com uma árvore dentro, revela os desafios da ciência em 2023

Ciência em 2023

Foi o físico Niels Bohr quem disse: «É muito difícil fazer previsões, especialmente do futuro.» A ciência, como qualquer actividade humana, é imprevisível. Mas o físico teórico Carlos Fiolhais, baseado na «Nature», arrisca aqui uma prospectiva do que, na área da ciência, se espera em 2023.
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A Humanidade enfrenta grandes desafios. Um é o da actual pandemia, que ainda não acabou (os chineses que o digam). Estão em curso testes de vacinas genéticas que protegem ao mesmo tempo da Covid-19 e da gripe. E, a prazo, é bem possível que surjam vacinas por spray nasal.

Ao mesmo tempo, para prevenir futuras epidemias, a OMS vai publicar uma lista de agentes patogénicos de maior perigo. Boas notícias são que, em resultados da inovação das vacinas da Covid-19, vão ser testadas novas vacinas para malária, tuberculose e herpes genital.

Na área da saúde, prevê-se que comecem primeiras aplicações de terapia genética usando a revolucionária técnica de CRISPR-Cas9, que deu o Nobel da Química às suas descobridoras, e também que continuem os avanços em medicamentos contra a Alzheimer (há drogas recentes, que atrasam a doença).

Boas notícias são que, em resultados da inovação das vacinas da Covid-19, vão ser testadas novas vacinas para malária, tuberculose e herpes genital.

Outro desafio é o das alterações climáticas e da energia. Na COP27, realizada no Egipto, foi acordado um acordo sobre danos e perdas em que países ricos indemnizam os pobres, mas a questão ainda está muito vaga. A COP28 será em Novembro, nos Emiratos Árabes Unidos. Até lá era bom que crescessem as energias alternativas, até porque a promessa de energia nuclear limpa, reforçada com as notícias da fusão a laser vindas dos EUA em Dezembro passado, só terá concretização a longo prazo. Uma boa notícia sobre resíduos de centrais nucleares convencionais é que abrirá na Finlândia um novo reservatório, muito seguro.

Na Física continuarão as colisões de protões em busca de falhas no Modelo Padrão das partículas e forças fundamentais. Vão ser revelados mais resultados da experiência Muon g-2 realizada no Fermilab, em Chicago, nos EUA, que desafia aquele modelo. A energias mais baixas, vai inaugurar o ESS- European Spallation Center em Lund, na Suécia, onde o maior acelerador de protões linear vai produzir feixes de neutrões para analisar materiais.

Por último, há os desafios do espaço. O ano de 2022 foi marcado pelas primeiras imagens do Telescópio Espacial James Webb, que vai continuar a fornecer imagens. A Europa e o Japão terão novos telescópios espaciais, o Euclides e o XRISM. Na Terra, o poderoso telescópio  Vera C. Rubin no Chile, um projecto dos EUA, vai ser inaugurado.  E a China abrirá o maior telescópio orientável, o QTT, em Xinjiang. A NASA ensaiou em 2022 com sucesso a missão Artemis 1 de regresso à Lua e está a preparar a Artemis 2 para 2024. Está toda a gente a olhar para a Lua: os EUA, o Japão, a Índia e os Emiratos Árabes Unidos enviaram sondas para a Lua. Talvez seja ainda este ano que uma missão de 11 turistas espaciais vá entrar em órbita lunar, a bordo da Starship, da empresa Space X. A ESA - Agência Espacial Europeia vai lançar uma missão a luas de Júpiter, em busca de vida, que demorará oito anos a chegar.

A ciência está, portanto, cheia de projectos no mundo. A Fundação Francisco Manuel dos Santos, que desde há muitos anos, organiza o Mês da Ciência e da Educação estará atenta. Em Portugal, infelizmente a ciência não tem avançado muito, faltando tanto financiamento como decisões de política científica. O nosso país não está, por exemplo, no consórcio dos 13 países europeus que fundaram o ESS - European Spallation Center, na Suécia.

*O autor escreve sem o acordo ortográfico