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Ambiente em Portugal: história, questões, caminhos

Autora de «Ambiente em Portugal» descreve o seu ensaio para a Fundação
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Em Portugal cerca de 97% de pessoas consideram o ambiente um tema importante ou muito importante, e cerca de 50% das pessoas pensam que o estado do ambiente é muito mau, segundo o Instituto de Ciências Sociais, num estudo de 2014.

No entanto, muitas pessoas não sabem o que podem fazer para melhorar a situação. É necessário um grande esforço de comunicação e por vezes o problema não é falta de informação, é informação a mais, ou informações contraditórias, ou não saber ou não ter paciência para seleccionar e filtrar o que é que se justifica saber. Ambiente em Portugal é um pequeno livro com um grande objectivo: ajudar nesta dinâmica do “que é isso do ambiente?”.

Ambiente em Portugal leva-nos por um percurso com três etapas. Na primeira faz-se um enquadramento geral e dá-se uma perspectiva histórica das questões ambientais. Na segunda, resume-se o estado do ambiente em Portugal com dados recentes sobre as diversas áreas que constituem a sua matéria científica, política e ética. Na terceira apontam-se caminhos, os tradicionais e os inovadores que, em conjunto, podem servir de inspiração para novas maneiras de pensar o ambiente.

Todos os anos, a Agencia Portuguesa de Ambiente publica um Relatório de Estado do Ambiente (REA) apresentando uma série de indicadores que permitem perceber a evolução do estado do ambiente, e aferir se atingimos as metas definidas internamente ou exigidas pela União Europeia. O último REA (2015) tem uma mensagem semelhante à dos anteriores e que se resume ao facto de termos evoluído favoravelmente na maioria dos domínios estudados mas estarmos mais vulneráveis quer aos sinais de agravamento das alterações climáticas, quer à crescente pressão sobre os nossos recursos, o que pode conduzir à sua degradação e escassez e à ameaça de perda de biodiversidade.

Em dois estudos de 2015 da Comissão Europeia no âmbito de relatórios especiais do Eurobarómetro, um sobre perda de biodiversidade e outro sobre alterações climáticas, os dados revelam que 43 % dos portugueses se sentem informados sobre a perda da biodiversidade, 28 % já ouviram falar, mas não sabem o que é, e 29 % nem sabem o que é. Estes resultados são melhores do que a média europeia, que é respectivamente de 30 %, 30 % e 39 %. No entanto, mais de metade do país não sabe o que é a perda de biodiversidade. Relativamente às alterações climáticas, os dados destacam que 91% de europeus pensam que este é um problema sério, e, destes, 69% pensam que é mesmo muito sério. Sobre quem deve fazer algo, as respostas apontam para divisões entre o Estado, as empresas, a União Europeia e o indivíduo. Quando confrontados com o que fazem, a maioria dos europeus menciona ter reduzido a produção de resíduos sólidos e reciclar. Embora seja importante reciclar, esta acção está longe de ser aquela que se pode fazer, a nível pessoal, com mais impacte no combate às alterações climáticas. Gastos de energia, tipologia de transportes e dietas alimentares são mais importantes, mas nestes itens nem os europeus nem os portugueses conseguem ser campeões. O sucesso da mensagem da reciclagem tornou-a no imaginário colectivo na iniciativa mais importante que podemos fazer em termos de atitude ambiental, e “eu reciclo” é sinónimo de “eu faço o que posso pelo ambiente”. Ambiente em Portugal é um pequeno livro sobre ambiente que quase não fala de reciclagem…

O acordo ortográfico utilizado neste artigo foi definido pelo autor

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