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82% dos comentadores políticos em Portugal são homens

Rita Figueiras introduz os temas do seu retrato «Efeito Marcelo: o comentário político na televisão»

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Porquê o «Efeito Marcelo. O comentário político na televisão»?
Marcelo Rebelo de Sousa desenvolveu uma nova forma de fazer comentário em Portugal. Com uma linguagem acessível a quase todos, democratizou o acesso à opinião esclarecida e massificou um produto de nicho, até então consumido apenas pela elite nacional. O «efeito Marcelo» ajuda a compreender porque é que o comentário se tornou uma componente estruturante das emissões televisivas e porque é que os espaços individuais de opinião se converteram no seu formato dominante. É, igualmente, fundamental para se perceber a importância do comentário para uma carreira política, transformando a função num instrumento político ímpar e sem precedentes no país.

De que trata o livro?
O livro analisa o universo do comentário televisivo e dos comentadores. Na primeira parte começa por abordar o modo como os protagonistas encaram a função e escolhem os temas. Olha depois para os formatos de comentário e estuda alguns espaços de opinião. Aqui é incluída ainda uma reflexão sobre a interação entre o político comentador e o jornalista nos espaços individuais de opinião nos noticiários. Na terceira parte analisa os dados resultantes de um estudo sobre a evolução do comentário político na televisão portuguesa (2000-17), avaliando nomeadamente a presença das mulheres, a participação dos políticos nos espaços individuais de opinião e a sua distribuição partidária ao longo do tempo. A conclusão reflete sobre o interesse que os media e os políticos têm no comentário para lá do que o ecrã nos mostra.

Sabe desde quando é que o comentário é um espaço regular nos noticiários televisivos?
O comentário é uma rubrica regular nos noticiários dos canais generalistas portugueses desde 2000, ano em que Marcelo Rebelo de Sousa iniciou a sua participação na TVI.

Quem são os comentadores na televisão portuguesa?
A maioria dos comentadores tem ligações à política e ao jornalismo. Muitos destes políticos exercem outras atividades profissionais, como a advocacia, e/ou são membros de quadros da administração de empresas privadas ou do estado.

Porque é que os políticos têm interesse no espaço de comentário?
O comentário é um local estratégico para os políticos influenciarem os temas em agenda, ganharem espaço de manobra dentro dos seus próprios partidos, projetarem uma determinada imagem de si e construírem uma ligação com o auditório.

Sabe quais são as forças políticas mais representadas no comentário televisivo?
Nos canais generalistas o espaço de opinião configura-se em torno dos partidos de poder e no cabo encontramos maior diversidade, ainda que a preponderância do PS e do PSD se mantenha. Aqui as audiências são mais reduzidas e fragmentadas, mas a diversidade de opiniões é maior. Por sua vez, nos canais generalistas os comentários emitidos alcançam um número muito mais vasto de espetadores, mas apresentam um menor leque de opiniões.

Sabia que as mulheres estão em clara minoria no comentário televisivo?
Entre 2000 e 2017 passaram pelo comentário político nas televisões portuguesas 273 comentadores: 224 homens (82%) e 49 mulheres (18%). Isto significa que se trata de um setor marcadamente masculino.

Sabia que as redes sociais são cada vez mais importantes no e para o comentário?
As redes sociais fazem parte da vida quotidiana de milhões de indivíduos e tornaram-se também parte integrante do jornalismo e do comentário. As redes ajudam a construir novas relações com a audiência de um canal de televisão inserido numa paisagem mediática e tecnológica cada vez mais complexa e fragmentada, e a consolidar uma base de apoio para um comentador com um futuro em aberto.

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