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COVID-19: Para quando a “normalidade”?

Opinião de Paula Alves, CEO do iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica.

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Desde que foram aprovadas as vacinas contra a COVID-19, desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna, têm crescido as espectativas quanto ao nosso regresso à “normalidade”, um regresso à vida em sociedade como conhecíamos antes da pandemia. Só as vacinas nos permitem acreditar que viveremos um futuro sem COVID.

As vacinas têm um papel fundamental, com muitas provas dadas, na prevenção de doenças infecciosas. O seu impacto na Saúde Publica é real, como comprovado pelos resultados das campanhas de vacinação à escala global, que permitiram erradicar doenças como a varíola e controlar a poliomielite, o sarampo, a difteria, entre outras.

Se eficazes, as vacinas serão a solução para esta pandemia. No entanto, é importante manter o alerta durante o período de vacinação e nesta transição para o tão ansiado “novo normal”. De momento, ainda não se conhece a duração da imunidade induzida pelas vacinas de que dispomos, o seu grau de eficácia nalgumas faixas etárias, em pessoas com outras patologias ou face ao surgimento de novas variantes do vírus. Por agora, os dados parecem indicar a sua eficácia na prevenção da infeção de algumas das novas variantes, mas a probabilidade de aparecerem novas variantes aumenta à medida que o vírus se continua a propagar na população, e com isso a aumenta probabilidade de as vacinas de que dispomos serem menos eficazes no seu combate.

A vacinação contra a COVID é hoje um esforço global sem precedentes, com desafios a vários níveis, nomeadamente no que respeita à capacidade de produção das doses necessárias para vacinar a grande maioria da população mundial, da sua distribuição e administração e da monitorização do seu efeito. Felizmente, porque foram utilizadas tecnologias diferentes do desenvolvimento de vários tipos de vacinas, podemos hoje manter a esperança de que todos poderemos ser vacinados.

Acredito que possamos até ao final de 2021 ter um número significativo de pessoas vacinadas em Portugal, principalmente todos os grupos de maior risco. Mesmo assim, a tão desejada imunidade de grupo na Europa só deverá ser atingida em 2022 quando mais de 70% da população estiver vacinada.

Paula Alves

Importa salientar a importância dos avanços da biotecnologia e a sua contribuição no avanço das vacinas. Temos hoje plataformas tecnológicas flexíveis e escalonáveis que facilitam o processo de produção das vacinas e a possibilidade de uma resposta relativamente rápida a novas variantes deste vírus ou de outros vírus que possam aparecer no futuro. O caso das plataformas de mRNA (Pfizer e Moderna) e de DNA (via Adenovirus recombinantes  da Astrazeneca/Universidade de Oxford) são disso exemplo. Esperamos para breve a aprovação de outras vacinas para a COVID-19 com recurso a outras tecnologias. Ao aumentarmos o leque de vacinas disponíveis que recorrem a diferentes tecnologias aumentamos o número de doses que podem ser administradas em tempo recorde, porque é disso que se trata, de vacinar a população do mundo em tempo recorde.

Acredito que, com mais vacinas aprovadas e disponibilizadas por várias empresas farmacêuticas até meados deste ano e uma campanha de vacinação cada vez mais eficaz, possamos até ao final de 2021 ter um número significativo de pessoas vacinadas em Portugal, principalmente todos os grupos de maior risco. Mesmo assim, a tão desejada imunidade de grupo na Europa só deverá ser atingida em 2022 quando mais de 70% da população estiver vacinada. O papel da Organização Mundial de Saúde e das Nações Unidas é também critico na garantia do acesso às vacinas dos países em desenvolvimento. Os vírus não conhecem fronteiras.

Por agora, neste tempo de transição, é nosso dever como cidadãos continuar a cumprir as regras impostas pelo Governo e autoridades de Saúde: o confinamento, o uso da máscara, o distanciamento social e a higienização frequente das mãos e das superfícies. O nosso comportamento individual e colectivo é fundamental para minimizar a propagação do vírus. É importante ter a consciência de que o retorno à normalidade não vai ocorrer nos próximos meses e que até lá é necessário o esforço de nos protegermos a todos, todos os dias. 

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