Escola a distância
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Alunos sem competências digitais e professores tudo menos «parados no tempo»

«Os envelhecidos professores têm procurado parecer os mais jovens nativos digitais que lhes é possível. [...] E a evidente falta de competências digitais (ou de mera literacia analógica) de alunos.»

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Excerto do livro «Quando as Escolas Fecharam», de Paulo Guinote.

Os envelhecidos professores têm procurado parecer os mais jovens nativos digitais que lhes é possível. São turmas virtuais no Google Classroom, Microsoft Teams, Edmodo ou mesmo no Google Hangouts, para comunicar com os alunos, ou para contactar com os colegas do Conselho de Turma. São questionários no Quizizz, no Kahoot, no Socrative. São videoconferências no Zoom, directos através do Youtube, grupos no WhatsApp ou Facebook (cuidado com as idades e as questões de privacidade, ok?).

Para uma classe docente que tantos dizem estar parada no tempo, têm sido dias de formação «em contexto» num modo bastante intenso (e tenso). A maioria tem feito o possível por colocar à disposição dos alunos materiais e directrizes para desenvolverem as suas aprendizagens à distância.

O problema? Qual é o problema que muita gente evita dizer em voz alta? Não está do lado da oferta, que tem motivado queixas pelo excesso de tarefas enviadas pelos professores. É mais do lado da procura, pelo que me é contado por colegas, em especial do Secundário, acerca da evidente falta de competências digitais (ou de mera literacia analógica) de alunos que são génios nas apps, mas depois não conseguem compreender o que é um convite para aceder a uma turma do Classroom ou do Teams, como navegar em plataformas bastante simples, ou como fazer um questionário do Quizziz numa sessão síncrona. A menos que sejam as tais fichas enviadas por e‑mail, o resto deixa grande parte numa enorme confusão sobre o que é exactamente para fazer e de que forma e metade do tempo a explicar o funcionamento de tudo aquilo que se costuma dizer que os alunos dominam com muito mais facilidade do que os envelhecidos docentes.

A realidade nem sempre é como os arautos do século XXI proclamam.

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