Covid-19
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O pico já passou. «A questão agora é se evitaremos uma quarta vaga»

Neste perguntas e respostas, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes fala do Natal, do aumento de casos em Janeiro, do confinamento recente e do que antevê na evolução da pandemia.

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A descida de novos casos a que assistimos é reveladora do impacto do fecho das escolas, que defendeu?

É reveladora, em especial, da grande desaceleração nos contágios que foi causada pelas medidas do Conselho de Ministros de 21 de Janeiro, onde se incluiu o fecho de escolas. Entre 15 e 21 de Janeiro houve uma diminuição do número de contágios, mas muito mais lenta. Sem as medidas do dia 21 de Janeiro, cujo impacto se observou a partir de 28 de Janeiro, teríamos levado mais tempo a passar sobre o pico, este teria sido mais elevado, a situação nos hospitais agravar-se-ia ainda mais, e a curto prazo teríamos mais óbitos por COVID-19.

As dificuldades por que têm passado os hospitais e o pessoal de saúde, sobrecarregados e esgotados, poderiam ter sido evitadas se tivéssemos confinado logo durante a época do Natal?

Teriam sido evitadas se tivéssemos tomado medidas em Novembro que evitassem termos chegado ao Natal ainda na zona dos 3500 casos por dia. Era desejável que estivéssemos em menos de 2000 casos/dia no Natal. Tenho muitas dúvidas acerca da eficácia de um Natal «proibido» em Portugal, por isso prefiro colocar as coisas desta forma. Teríamos também amenizado a situação se, logo a partir de dia 5 ou 6 de Janeiro, quando nos apercebemos da situação em que estávamos, tivéssemos tomado logo as medidas que só vieram a ser tomadas após o Conselho de Ministros do dia 21 de Janeiro. Entretanto, o Infarmed que teve lugar no dia 12 de Janeiro foi uma oportunidade perdida.  

Estamos a conseguir ultrapassar todos os constrangimentos, ou o envio de doentes para o estrangeiro vai continuar a ser um recurso para garantir camas no SNS?

Esta é uma pergunta que deve ser dirigida ao Ministério da Saúde.

Já atingimos o pico desta terceira vaga?

Sim, passámos sobre o pico na última semana de Janeiro. A questão agora é saber se evitaremos uma quarta vaga.

As medidas restritivas devem ser mantidas até quando?

Até que os indicadores epidemiológicos mais importantes (Rt, incidência diária, positividade, ocupação hospitalar) estejam abaixo de linhas vermelhas que nunca deveriam ter sido ultrapassadas.

Na sua opinião, como deve ser feito o desconfinamento: de forma faseada?

Sim, começando pelas crianças mais novas.

Quando poderão as vacinas, há tanto tempo esperadas, produzir os efeitos desejados em Portugal? Quando prevê que seja atingida uma imunização eficaz da população, que possa ter efeitos na comunidade?

Depende da chegada de vacinas ao nosso país, algo que não controlamos. Começaremos por sentir o efeito nas hospitalizações e óbitos e só depois na dinâmica da transmissão da infecção na comunidade. Espero que tudo isto já se faça sentir a meio do Verão... se chegarem as vacinas.

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