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Impõe-se uma redescoberta do jornalismo

Opinião de Ana Catarina André, ex-jornalista e autora de dois livros publicados na colecção de Retratos da Fundação.

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A pandemia e as profundas mudanças sociais e económicas que marcaram o ano de 2020 vieram demonstrar de forma ainda mais premente a necessidade de um jornalismo de qualidade. Se por um lado, se tornou evidente que é fundamental ter acesso a uma informação rigorosa, objetiva e confiável, por outro lado, continuamos a assistir à propagação de notícias falsas, à difusão de conteúdos que não foram submetidos a qualquer crivo científico ou ético e a uma aparente diluição da distinção entre informação e desinformação. Em causa estão princípios basilares como a sobrevivência da democracia, a aposta numa educação integral e verdadeiramente promotora do desenvolvimento humano e uma difusão efetiva da tolerância e do respeito pelo outro.   

Que podemos esperar do ano que agora começa? Impõe-se uma redescoberta do jornalismo, da sua missão e do seu inquestionável papel na democracia. É fundamental contrariar a tendência dos últimos anos de desinvestimento nas redações e na formação de novos jornalistas. Em vez de embarcarmos na lógica voraz do consumo de conteúdos difundidos nas redes sociais, cuja origem é em muitos casos desconhecida, é urgente olhar criticamente para a maneira como procuramos manter-nos informados. Ao valorizar o jornalismo de qualidade e ao apoiar a sua subsistência estamos a contribuir indelevelmente para uma sociedade mais esclarecida. Ao mesmo tempo, importa apostar numa literacia mediática, sobretudo junto das gerações mais novas, promovendo o consumo de informação de qualidade e a criação de uma cultura assente nos princípios da verdade e da transparência.

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