Ainda aqui estou
Ainda aqui estou

Conheça as principais diferenças entre os dois grandes incêndios de 2017

Texto de Patrícia Carvalho, autora do livro 'Ainda aqui estou'.

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Houve diferenças acentuadas nos dois incêndios que, em 2017, provocaram destruição e a morte de dezenas de pessoas. Saiba que diferenças são e fique a saber mais sobre os conteúdos do livro 'Ainda aqui estou', da autoria de Patrícia Carvalho.

Porquê o «Ainda aqui estou»?

O ano de 2017 foi absolutamente marcante para o país, em termos de incêndios. Não só por ter sido o ano com mais área ardida desde que há memória, mas, sobretudo, pela número catastrófico de perda de vidas: 115, segundo os números oficiais, só nos grandes incêndios de Junho e de Outubro.

De que trata o livro?

Apesar do peso das tragédias vividas, que ainda marcam o dia-a-dia de tantas pessoas, o livro debruça-se sobre os sobreviventes e outras pessoas que, de uma maneira ou de outra, foram tocadas pelos grandes incêndios de 2017. Contam-se aqui as histórias de bombeiros, de voluntários, de quem perdeu a casa e a empresa e de quem sobreviveu, sozinho, a uma noite de inferno. Apesar de a morte estar presente em várias das histórias aqui contadas, a tónica foi colocada nos que sobreviveram e querem continuar a viver nas zonas afectadas, que são também das mais envelhecidas e esquecidas do país.

Sabia que a maior parte das casas das vítimas de Pedrógão ficou intacta?

Das 66 vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande, que afectou este concelho, mas também Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, apenas quatro morreram no interior das suas casas. A maioria das pessoas morreu na estrada, 30 das quais em menos de 400 metros da EN 236-1. Segundo o relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou este incêndio, 93% das vítimas mortais que estavam em fuga não conseguiram fazer um percurso superior a 3 minutos.

Sabia que mais de 1700 casas arderam em Outubro?

Os incêndios de Outubro causaram a morte a 49 pessoas – o que seria uma enormidade, se não tivéssemos Pedrógão, com as suas 66 vítimas mortais, como termo de comparação. O número é, ainda assim, avassalador, e torna-se ainda mais devastador quando se olha para a dimensão de tudo o mais que se perdeu: estima-se que entre 14 e 16 de Outubro de 2017 tenham ardido 1712 habitações e 768 empresas tenham sido afectadas. Os prejuízos ascendem a 275 milhões de euros. No ano passado, os incêndios que afectaram o país foram responsáveis por uma área ardida que rondou os 500 mil hectares.

O que foi diferente nos dois incêndios?

Apesar de os dois incêndios terem provocado dezenas de vítimas mortais e de ambos serem descritos como extremamente violentos, incontroláveis e como algo nunca visto, tiveram uma característica que os distinguiu. Em Junho, as vítimas mortais foram apanhadas pelas chamas numa área muito pequena, e muitas delas eram vizinhas das mesmas aldeias. Nos incêndios de Outubro, as vítimas estavam dispersas por vários dos 30 municípios que foram afectados pelas chamas, o que não levou a que um único local (como a EN 236-1) fosse identificado como o símbolo de toda uma tragédia. A outra grande diferença entre os dois casos é que os fogos de Outubro, dado o número de ignições e as suas características únicas, alimentadas pela passagem do furacão Ophelia, foram encarados pelos especialistas como incontroláveis desde muito cedo. No caso de Pedrógão Grande as comissões que os estudaram consideram que não houve uma percepção inicial das reais proporções que o incêndio poderia tomar. Neste último caso havia, em Junho, dez arguidos constituídos.

Patrícia Carvalho é autora do livro Ainda aqui estou, publicado pela Fundação.

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