Natal
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Autores da Fundação sugerem livros para este Natal

Em Dezembro, os autores dos mais recentes Ensaios e Retratos do ano que termina presenteiam-nos com as suas sugestões de livros para dar, ler e receber.

Pedimos a J. Rentes de Carvalho, Inês Fonseca Santos, Bernardo Gaivão, Mariana Correia Pinto, Carlos Jalali, Manuel Braga da Cruz e João Filipe Queiró que escolhessem um livro para recomendar aos leitores neste Natal.

Hoje Estarás Comigo no Paraíso
Bruno Vieira Amaral
Quetzal, 2017

Sugestão de J. Rentes de Carvalho, autor do retrato Trás-os-Montes, o Nordeste.

«Sempre curioso pelo segundo livro de um escritor, devo ter sido dos primeiros leitores de Hoje Estarás Comigo No Paraíso, de Bruno Vieira Amaral (Quetzal, 2017). Temia que não igualasse As Primeiras Coisas, mas superou-se, dando-nos um caleidoscópio da Outra Banda que, apenas separada pelo Tejo, parece a anos-luz do Chiado. É outro mundo, sente-se o leitor desnorteado entre a realidade e a ficção.»

A Ilha do Avô
Benji Davies
Orfeu Negro, 2017

Sugestão de Inês Fonseca Santos, autor do retrato Vale a pena? Conversas com escritores.

«A Ilha do Avô é lugar paradisíaco, cheio de cor e animais espantosos. Esse lugar foi visitado por Cid, neto deste Avô que nunca perdeu a capacidade de se espantar. O Avô ficou lá para sempre e Cid teve de voltar para casa. Passou por dificuldades no regresso, superadas por o acompanhar a certeza de que a distância não anula o amor. Benji Davies conta uma história dominada pelos conceitos de permanência e transitoriedade, num álbum ilustrado de enorme beleza, cujo tema central é a morte. E haverá desafio maior do que este, nomeadamente na literatura infanto-juvenil?»

Made in America
Bill Bryson
Bertrand, 2017

Sugestão de Bernardo Gaivão, autor do retrato Turista Infiltrado.

«Numa idade em que orbitamos à volta da grande referência cultural que são os E.U.A., olhemos para uma história não convencional deste país. Bill Bryson publicou em 1994 Made in America. Como de costume, com rigor, humor e carradas de ironia, leva-nos numa viagem pela evolução deste ramo da língua inglesa. Atravessa diferentes sectores da sociedade. Fala da política, do desporto, da comida, and so on. É uma nova e hilariante visão da história americana.»

A Fome
Martin Caparrós
Temas e Debates, 2016

Sugestão de Mariana Correia Pinto, autora do retrato Porto, última estação.

«É literatura, é jornalismo e é um manifesto. Chama-se A Fome e foi escrito por Martin Caparrós, um escritor e jornalista argentino que faz do seu ofício uma arma para mudar o mundo. Num registo arrebatador, que nas mesmas páginas nos leva à mais profunda humanidade e à total desumanização, Caparrós viaja pela geografia da fome. Dos países mais ricos aos mais pobres. Afinal, por que razão há fome no mundo se o nosso planeta produz o suficiente para que todos tenhamos alimento?»

Look Back in Laughter: Oxford’s Postwar Golden Age
R. W. Johnson
Threshold Press, 2015

Sugestão de Carlos Jalali, autor do ensaio Partidos e Sistemas Partidários.

«Bill Johnson não é necessariamente um narrador fiável nestas memórias de mais de trinta anos na Universidade de Oxford. Mas é um narrador divertido, que traz Oxford à vida com humor — e nostalgia. A destacar as referências de Look Back in Laughter a David Goldey: um dos grandes impulsionadores dos estudos de ciência política sobre Portugal, e a cuja memória o ensaio Partidos e Sistemas Partidários é dedicado.»

A Europeização da Democracia Portuguesa
Nuno Severiano Teixeira e António Costa Pinto (org.)
ICS, 2017

Sugestão de Manuel Braga da Cruz, autor do ensaio O Sistema Político Português.

«Trinta anos volvidos sobre a adesão de Portugal às comunidades Europeias, é seguramente oportuno analisar o impacto da integração europeia na democracia portuguesa, para aferir da justeza dessa decisão, tomada precisamente para ancorar e consolidar a democracia entre nós. Essa oportunidade afigura-se ainda mais urgente, quando Portugal acaba de sair de um pesado resgate imposto precisamente pela União Europeia, de par com o Fundo Monetário Internacional, com duras condições de austeridade que acompanharam o empréstimo que evitou a insolvência a que um governo conduziu o país. Era imperioso conhecer também os efeitos da crise na legitimidade da integração e da democratização. A Europeização da Democracia Portuguesa era pois um livro necessário.»

Less than one: selected essays
Joseph Brodsky
Farrar, Straus and Giroux, 1986

Sugestão de João Filipe Queiró, autor do ensaio O Ensino Superior em Portugal.

«Cito de uma entrevistadora, para escrever sobre o autor de Less than one: “Brodsky comentou que viver sob o regime soviético era como viver com uma força da gravidade mais intensa, onde cada palavra e cada acto tinham enormes repercussões. Viver no Ocidente, pelo contrário, era como viver na Lua — podia-se saltar e fazer piruetas sem esforço, mas nada tinha significado, porque toda a gente estava a fazer exactamente o mesmo.”»

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