Paisagem Rural
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Produção agrícola e habitats: de que fala o livro 'Portugal: Paisagem Rural'?

O autor, Henrique Pereira dos Santos, introduz os temas do livro neste breve artigo.

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Saiba de que fala o livro 'Portugal: Paisagem Rural', nas palavras do autor, Henrique Pereira dos Santos.

Porquê Portugal: a paisagem rural?

Este livro procura compreender como evoluiu a paisagem rural portuguesa ao longo do século XX, as forças que a modelaram e de que forma se pode esperar que evolua.

De que trata o livro?

Este livro tem como objectivo analisar o modo como a paisagem rural do continente português evoluiu ao longo do século XX e as razões que estão na base dessa evolução. O livro está dividido em quatro partes (para além da introdução e conclusão), tendo ainda uma última nota sobre a forma como a evolução da paisagem se relaciona com a dinâmica das espécies selvagens.

Na primeira parte, intitulada “As forças motrizes”, procura-se caracterizar o que são os factores que influenciam de forma mais marcante a evolução de paisagens longamente humanizadas, como são as do Portugal continental. Nas secções seguintes - intituladas “Viver habitualmente”, “A paisagem dos limites da economia orgânica” e “A idade do ouro” - procuram-se caracterizar períodos relativamente homogéneos em que algumas tendências se mantêm, ao mesmo tempo que se caracterizam as alterações que ocorrem entre eles e os distinguem.

O livro pretende apenas abrir uma janela de interpretação sobre a forma como o abandono rural ou a produção podem criar ou destruir habitats, favorecendo ou prejudicando a disponibilidade de alimento para as espécies selvagens.

Henrique Pereira dos Santos

Qual é a base de análise usada?

Para além da caracterização pormenorizada dos sistemas de produção rural que existem em monografias e outras fontes, e de horas de conversa com dezenas de pessoas que se encontram ao acaso do trabalho de campo, a principal base de análise usada é a espacialização das estatísticas agrícolas e de população, por concelho, ao longo de todo o século XX, avaliando-se em cada momento as alterações entre dois momentos para os quais existem estatísticas.

A informação base, bem como os mapas do conjunto do país que daí resultam, não são usados directamente neste livro, mas estão disponíveis noutras fontes, sendo este livro a síntese que fixa as grandes tendências e o essencial do que se pode apreender a partir desse processo, evitando-se a discussão mais técnica e pormenorizada que sobrecarregaria o texto, sem grande utilidade para quem queira ter uma ideia geral da forma como as paisagens rurais portuguesas evoluíram ao longo do século XX.

Sabia que partimos do princípio de que a paisagem se gere, essencialmente, a partir das opções de alimentação que fazemos todos os dias?

O livro evita, conscientemente, a discussão das questões mais institucionais sobre políticas de paisagem (as opções de florestação, os fundos europeus e a política agrícola comum, etc.) e tenta interpretar as alterações reflectidas nas estatísticas de produção com base na sua relação com a alimentação, bem como interpretar as diferenças das cozinhas regionais tradicionais com base nos territórios em que assentam.

Da mesma forma, procuram-se explicações racionais que expliquem o que parecem ser opções de alimentação contraditórias com a pobreza das regiões, como o consumo de leitão da região envolvente de Coimbra ou o cabrito estonado de Oleiros, dificilmente compreensíveis à luz de dietas de sobrevivência como eram as que dominavam a vida um mundo rural de economias de subsistência.

Sabia que é possível que a conservação das espécies selvagens se relacione mais com o que escolhe almoçar hoje que com a proibição da sua caça?

Depois da conclusão o livro contém uma nota complementar, sobre a relação entre as opções alimentares e a dinâmica das espécies selvagens, na medida em que as opções alimentares se reflectem nas opções dos produtores agrícolas, condicionando fortemente a gestão das paisagens.

O livro não pretende esgotar este assunto, apenas abrir uma janela de interpretação sobre a forma como o abandono rural ou a produção podem criar ou destruir habitats, favorecendo ou prejudicando a disponibilidade de alimento para as espécies selvagens.

O livro Portugal: Paisagem Rural está à venda na loja online da Fundação, com 10% de desconto e portes de envio gratuitos.

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