Espaço, representação, democracia

Política

As redes sociais e os movimentos anticrise vieram pôr em xeque as formas tradicionais de expressão popular e de utilização do espaço público. Num dos principais corredores do Departamento de Política da Universidade de York encontra-se afixado um cartaz sobre um novo mestrado em História Contemporânea e Política Internacional. Foi de relance que o vi pela primeira vez e quase instintivamente voltei para trás, perplexa por nele encontrar uma imagem estranhamente familiar. É que o cartaz, que por lá continua, tem como pano de fundo uma fotografia da escadaria do Parlamento português ocupada por manifestantes anti-austeridade. A fotografia encontra-se enquadrada pela expressão “Estuda ideias em acção”, aposta no canto inferior direito, uma alusão à relevância eminentemente prática do estudo das ideias por que somos governados ou nos queremos governar. A estranheza do encontro deve-se não tanto à expressão aposta, quanto à escolha da imagem. Quando comparado com os movimentos de Indignados na Grécia ou na vizinha Espanha, o movimento congénere em Portugal teve parca projecção internacional e tem sido alvo de limitada reflexão académica mesmo a nível comparativo. Contudo, algo naquela imagem captou o imaginário de quem concebeu o cartaz. E é uma especulação sobre esse algo que serve de mote a este artigo.
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