Jorge Sampaio

Mais descentralização

Ter sido presidente da Câmara de Lisboa (1989-1995) marcou-o fortemente. Mesmo depois de 10 anos como Presidente da República, continuou a interessar-se pelo poder local, mas a outra escala. Foi presidente da Federação Mundial das Cidades Unidas, promotor e obreiro da unificação desta associação com a União Internacional das Cidades e Poderes Locais (Maio 2004). Tem por isso um pensamento informado sobre a governação das cidades e um enorme prazer em discutir as questões urbanas, que quer ver no topo da agenda global. Mantém relações próximas com muitos autarcas em várias partes do mundo. Em entrevista à XXI Ter Opinião, Sampaio diz que precisamos de “novos modelos de governação local”. Nas cidades europeias, para que sejam inclusivas, “uma das prioridades é a governação democrática da diversidade cultural”. Bons conselheiros, afirma, são os princípios da subsidariedade, da autonomia e da solidariedade. Nota que falta em Portugal definir objectivos estratégicos para que as decisões de fundo “não sejam grosseiramente desadequadas”. Jorge Sampaio propõe ainda um vasto debate nacional sobre a reforma do modelo de financiamento do poder local.
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