Quem são os fundadores?
É a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, cujos accionistas são os descendentes directos de Francisco Manuel dos Santos. Este, em conjunto com dois sócios, adquiriu, em 1921, os estabelecimentos Jerónimo Martins.
A sociedade familiar, hoje presidida por Alexandre Soares dos Santos, controla actualmente 56% da Jerónimo Martins S.G.P.S.
O grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova, Recheio, Biedronka, JMDPC, Unilever-Jerónimo Martins) é líder na grande distribuição, tanto em Portugal como na Polónia. É também o primeiro grupo industrial ligado à produção de bens de grande consumo (alimentos, cuidados pessoais, higiene doméstica).
Quem é Francisco Manuel dos Santos que deu o nome à Fundação?
Natural de Safurdão (1876), na Beira Alta, é avô do actual presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos. De origem humilde, cedo se mudou para o Porto, onde teve uma actividade comercial importante, tendo, em 1921, adquirido a casa Jerónimo Martins, no Chiado, em Lisboa.
Criação e identidade
Após alguns meses de reflexão e conversações entre os membros da família, a decisão de criação da fundação foi tomada, por unanimidade, em assembleia geral da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, reunida em Lisboa a 12 de Fevereiro de 2009. Nesta assembleia, foram aprovados os estatutos, assim como um contrato que vai ligar a sociedade à fundação. A sociedade decidiu igualmente ceder o nome à fundação.
No dia 13 de Fevereiro, foi feita escritura pública da Fundação. Os primeiros procedimentos legais foram concluídos. De acordo com a lei, a constituição da Fundação e respectivos estatutos foram homologados em 5 de Junho de 2009 , pelo despacho N.º 13591/2009, publicado no Diário da República, IIª série, N.º 112, de 12 de Junho de 2009.
A Fundação prepara-se ainda para requerer, ao abrigo dos dispositivos legais, o reconhecimento da utilidade pública.
Apresentação
A Fundação foi apresentada ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Primeiro-ministro, assim como a vários membros do Governo e altos responsáveis de diversas entidades públicas e privadas.
A 13 de Fevereiro de 2009, depois da assinatura da escritura pública, realizou-se a primeira reunião do Conselho de Curadores.
A 16 de Fevereiro, foi dada notícia pública da criação da Fundação. Nesse mesmo dia, teve lugar um encontro entre representantes da família fundadora, membros do Conselho de Administração e jornalistas dos mais importantes órgãos de informação.
Qual é a missão da Fundação?
Segundo os estatutos: “O fim primordial da Fundação é o de promover e aprofundar o conhecimento da realidade portuguesa, procurando desse modo contribuir para o desenvolvimento da sociedade, o reforço dos direitos dos cidadãos e a melhoria das instituições públicas. Com esse propósito fundamental, sem prejuízo da realização de outras actividades adequadas à prossecução dos seus fins, a Fundação promoverá estudos, em diversas áreas, elaborando análises sobre temas seleccionados, publicando os resultados, formulando recomendações e fomentando a discussão pública sobre as matérias que são objecto dos trabalhos”.
Os estudos “incidirão sobre as mais diversas matérias, com especial relevo para demografia e população, condições sociais e económicas, desenvolvimento económico e social, saúde, educação, formação profissional, segurança social, Estado, identidade nacional, administração pública, direitos e deveres dos cidadãos, cidadania e instituições democráticas, relações laborais, organização do território, as cidades, a questão social, coesão social, desigualdades e conflito, justiça, políticas económicas e sociais, instituições públicas, grandes serviços públicos, relações entre o Estado e os cidadãos, acesso à cultura, informação e comunicação social”.
Além dos estatutos, há outros documentos que definam a missão e os objectivos da Fundação?
Existe uma “Carta de Princípios” que desenvolve e esclarece as normas estatutárias.
Qual é o património da Fundação? Quais são os seus meios e recursos?
O capital próprio da Fundação é de 1 milhão de euros. Nos primeiros anos, a Fundação terá ao seu dispor uma dotação anual cujo montante se elevará a 5 milhões de euros. Esta dotação foi objecto de um contrato assinado pela sociedade Francisco Manuel dos Santos e pela Fundação. Durante esse período, a sociedade familiar tomará providências a fim de constituir uma base estável de financiamento que garanta à Fundação operacionalidade e independência.
Quais são os órgãos sociais da Fundação?
Os principais órgãos estatutários são o Conselho de Curadores e o Conselho de Administração.
O Conselho de Curadores é presidido pelo fundador, Alexandre Soares dos Santos, e inclui os seguintes membros: Dr. António Araújo, Eng.º Carlos Moreira da Silva, Dra. Isabel Jonet, Professor João Lobo Antunes, Professor Joaquim Gomes Canotilho, Professor Luís Valente de Oliveira, Professor Manuel Braga da Cruz, D. Manuel Clemente, Professor Raul Miguel Rosado Fernandes e Sr. Vasco dos Santos.
O primeiro presidente do Conselho de Curadores e o primeiro presidente do Conselho de Administração, tal como os primeiros membros dos dois conselhos, são nomeados pela sociedade fundadora.
O Conselho de Curadores tem como principais funções: aprovar as linhas de orientação a médio e longo prazo; aprovar um plano estratégico de acção; aprovar os relatórios de actividades e de contas; e nomear o Conselho de Administração.
O Conselho de Administração é presidido pelo Professor António Barreto e inclui os Drs. José Quinta e José Soares dos Santos.
O Conselho de Administração gere todas as actividades da Fundação.
Além destes órgãos, existe um Conselho Científico e Cultural, composto por um número variável de pessoas. Este Conselho permite aos Administradores ter uma visão alargada da realidade portuguesa e ajuda-os a decidir sobre os projectos a realizar. Colabora igualmente na avaliação dos projectos em curso e terminados.
Os membros dos Conselhos de Curadores e Científico e Cultural não são executivos. Os actuais membros do Conselho Científico e Cultural são: Dr. Francisco Sarsfield Cabral, Dr. José Amaral, Dr. José Mendes Ribeiro, Professor José Tavares, Professora Maria de Fátima Bonifácio, Professora Maria João Valente Rosa, Professor Miguel Poiares Maduro, Professor Nuno Crato, Professor Nuno Garoupa, Doutor Paulo Rosado e Doutor Pedro Magalhães.
O Conselho de Curadores reúne obrigatoriamente pelo menos duas vezes por ano. O Conselho Científico reúne obrigatoriamente pelo menos quatro vezes por ano.
Que dimensão se pensa que possa vir a ter a Fundação? Por exemplo, qual poderá vir a ser número de funcionários e colaboradores?
É cedo para determinar a dimensão da Fundação. Mas existem já determinações indicativas do Conselho de Administração, com o apoio do Fundador e do Conselho de Curadores. Assim, a Fundação limitará as suas estruturas e a sua organização ao mínimo indispensável, recorrendo a serviços externos para grande parte das suas necessidades (aconselhamento jurídico, contratação, avaliação e acompanhamento de projectos, comunicação e relações públicas, administração financeira, contabilidade, processamento de vencimentos e pagamentos, manutenção da página da Internet, etc.).
A Fundação não recrutará, de modo permanente e a tempo inteiro, especialistas nas áreas que considere prioritárias e nas quais realizará os seus estudos, antes recorrerá a colaboradores externos.
A Fundação quer evitar ter a seu cargo um elevado número de funcionários e pretende reservar os seus recursos para a realização das suas actividades.
Como está assegurada a independência da Fundação?
A vontade do fundador assim o determina. Os estatutos da Fundação são claros e explícitos nesse atributo e estabelecem que os Curadores e os Administradores são os garantes da independência política, partidária, económica e religiosa.
Os estatutos estipulam também que as ameaças ou a perda de independência da Fundação podem ser motivos suficientes para demissão do Presidente do Conselho de Administração.
O orçamento anual que a Fundação receberá durante 5 a 8 anos é objecto de contrato entre a sociedade familiar e a Fundação.
A escolha de Curadores recaiu em nomes cuja independência de espírito é reconhecida.
A Fundação é também independente do grupo Jerónimo Martins e da família Soares dos Santos?
Além da vontade do fundador e do estabelecido nos estatutos, um sinal inequívoco dessa independência está no facto de, entre onze Curadores, apenas dois serem membros da família fundadora e estarem ligados ao grupo Jerónimo Martins. Os restantes nove Curadores e o Presidente do Conselho de Administração, nomeados pelo fundador através dos estatutos, não pertencem à família do fundador, nem ao seu grupo económico.
No planeamento dos seus trabalhos, a Fundação não programará actividades e estudos que sejam do interesse directo ou comercial do grupo Jerónimo Martins.
Em que áreas vai a Fundação intervir prioritariamente?
O plano de trabalho a médio prazo e a orientação estratégica foram definidos durante o ano de 2009. A Fundação decidiu manter-se fora do espaço público enquanto não tivesse resultados do seu trabalho. O plano de actividades foi-se construindo de acordo com as oportunidades e a disponibilidade de especialistas para liderar os projectos.
As áreas que, naturalmente foram consideradas prioritárias são as da Saúde, da Justiça, da Educação, da Demografia, dos direitos e deveres dos cidadãos e do Estado de Protecção Social.
Outras áreas que merecerão atenção a curto prazo são: o Envelhecimento demográfico; As condições sociais e económicas da população; O Estado e a Administração Pública; Os grandes serviços públicos; Questões de identidade nacional e da integração europeia; As relações laborais; As condições sociais, institucionais e legais da actividade económica; Organização e papel da sociedade civil; A cultura, a informação e a comunicação; Obstáculos e factores de desenvolvimento.
No primeiro ano, foi considerada prioridade a informação dos cidadãos. Isto é, a Fundação entende que é seu dever fornecer aos cidadãos o maior número de instrumentos de informação e conhecimento, a fim de eles poderem formar a sua opinião independente. Para a Fundação, uma opinião livre é uma opinião informada.
Assim, a primeira realização da Fundação a ser tornada pública é a PORDATA – Base de Dados Portugal Contemporâneo, com a qual se pretende que estejam acessíveis ao público, de modo simples e sem custos, todos os indicadores que permitam conhecer e avaliar as condições de vida dos portugueses.
Por que razão há actividades e áreas excluídas?
A Fundação pretende gerir os seus recursos com a maior eficiência possível. Por isso se entende que á vantajoso concentrar os seus recursos em certas áreas e em determinados tipos de acção e intervenção. A Fundação não é generalista, isto é, não se dedica a uma multiplicidade de acções. A Fundação pretende não repetir funções que outras já desempenham com vantagem e mais experiência; nem deseja fazer o que outras instituições fazem com muitos mais recursos.
De acordo com os estatutos, estão, em princípio, excluídas “a prestação de cuidados de saúde, a beneficência, o desporto, a criação artística, a expressão cultural, a educação, a formação académica ou profissional, a investigação científica individual”. A Fundação não poderá “contribuir para custos gerais e correntes de entidades ou organizações, construção de edifícios, aquisição de equipamentos e viaturas, aluguer de instalações, participação em conferências e congressos, espectáculos, actividades de cariz político ou partidário, associativismo profissional”. Também não “colaborará em apelos públicos de recolha de fundos, organização de exposições ou museus e preservação do património cultural ou edificado”.
A Fundação considera vantajoso tornar públicas as exclusões, pois assim não se criam falsas expectativas ou frustrações.
Quais serão os seus métodos de trabalho?
No essencial, a Fundação selecciona áreas, temas e projectos, para os quais escolhe responsáveis e autores. Estes últimos poderão estar ligados a instituições, empresas ou grupos de estudos, mas serão sempre individualmente responsáveis pelos projectos que lideram. A Fundação assinará contratos com esses responsáveis. Para além do estipulado no contrato, os responsáveis por projectos não adquirem qualquer vínculo à instituição. A Fundação poderá financiar um projecto total e exclusivamente, mas também parcialmente e em colaboração com outras instituições. Do trabalho em curso, e ainda mais dos projectos acabados, será mantida permanente informação ao público. Todos os projectos terão uma indispensável dimensão de difusão e debate público que a Fundação organizará em colaboração com os respectivos responsáveis e em cooperação com as mais diversas instituições interessadas.
Serão diversas as maneiras de tornar públicos os resultados dos projectos, o que inclui a edição de livros, documentos e brochuras; a produção de documentários audiovisuais; a edição de DVD e CD; a realização de programas de televisão; a apresentação em reuniões públicas, seminários e conferências; e a divulgação através da Internet.
Certos temas e problemas particularmente relevantes poderão ser objecto de uma metodologia especial que dê lugar à realização de um “livro branco”. Um projecto deste tipo, de grandes dimensões e âmbito alargado, poderá exigir mais tempo e recursos do que a maioria dos projectos e necessitará de uma vasta colaboração multidisciplinar.
Como são tomadas as decisões sobre projectos, estudos e actividades?
Os órgãos de administração da Fundação seleccionam as áreas e os projectos que consideram prioritários e que melhor correspondem à missão definida, nos estatutos, pelo fundador. Com esse objectivo, o Conselho de Administração ouvirá o Conselho de Curadores e o Conselho Científico e Cultural. O primeiro destes conselhos tem a competência de aprovar as linhas gerais de actuação e o plano estratégico a médio prazo. A selecção de projectos concretos é feita pelo Conselho de Administração, para o que ouvirá o Conselho Científico e Cultural, assim como consultores e especialistas. Além disso, o Conselho de Administração está evidentemente atento a todas as sugestões que, por qualquer via, cheguem à Fundação. A Fundação entende ainda recorrer a concursos públicos, nacionais e internacionais, para a realização de certos projectos cujos termos de referência serão anunciados previamente.
Como são seleccionados os responsáveis pelos projectos que a Fundação patrocina?
Com apoio dos membros dos Conselhos de Curadores e Científico e Cultural, assim como de consultores e especialistas, o Conselho de Administração procurará especialistas nacionais ou estrangeiros reputados que garantam o rigor da análise e a eficácia do trabalho, assim como a formulação de sugestões e recomendações. A Fundação poderá também elaborar os termos de referência de eventuais projectos e colocá-los a concurso público.
A Fundação aceita candidaturas espontâneas, não solicitadas?
Todas as sugestões espontâneas serão ouvidas e consideradas com atenção. Mas, nos primeiros anos de actividade, a Fundação não aceitará, em princípio, candidaturas não solicitadas. A Fundação reserva para si a função de selecção de áreas e projectos, assim como a de escolha dos respectivos responsáveis e autores, podendo ainda tornar públicos os termos de referência dos projectos solicitando candidaturas.
Pode a Fundação cooperar com outras entidades, designadamente fundações, centros de estudos e associações?
A Fundação espera poder colaborar com outras fundações, centros de estudos, associações e outras instituições em projectos que caibam, pela sua natureza, pelos seus métodos e pelos seus objectivos, dentro das funções estatutárias que constituem a sua missão. É possível, por exemplo, conceber projectos financiados simultaneamente pela Fundação e por outras instituições. Como também é possível que a Fundação financie projectos realizados por outras instituições. Ou, finalmente, que os resultados dos projectos apoiados pela Fundação sejam objecto de debate e divulgação organizados por outras instituições. Em resumo, a Fundação está aberta a considerar todas as formas de colaboração, desde que tal não constitua perda de independência e isenção.
Actualmente, a Fundação assinou já “Protocolos de cooperação” com várias entidades: INE (Instituto Nacional de Estatística), ICS (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), FEUNL (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa) e ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa).
Pode a Fundação ser equiparada a outras fundações portuguesas?
A FFMS tem algumas semelhanças com outras fundações. Por exemplo, apoia a realização de estudos sobre a realidade portuguesa. E, como algumas, não é generalista, isto é, tem uma missão concentrada e limitada a certas áreas. Mas tem diferenças. Terá pessoal muito reduzido. Não prestará serviços. Não concederá bolsas de estudos. Não terá actividades directas de investigação científica, de educação e formação, de beneficência ou de arte.
A Fundação é semelhante à Fundação para a Ciência e a Tecnologia?
As diferenças são várias. A FCT é pública e do Estado, a FFMS é privada e pertence à sociedade civil, embora pretenda ver reconhecida a sua utilidade pública.
A FCT é o principal organismo de execução das políticas científicas e tecnológicas do governo, enquanto a FFMS depende da missão atribuída pelo fundador, das orientações estratégicas definidas pelos seus estatutos e dos planos aprovados pelo seu Conselho de Curadores.
A FCT, graças ao orçamento de Estado e aos fundos da União Europeia, tem muitos mais recursos que a FFMS. Várias actividades, a que a FCT atribui elevada importância, estão excluídas da FFMS, como, por exemplo, a investigação fundamental, a divulgação científica, a formação, a concessão de bolsas de estudos, de graduação, de pós-graduação e de pós-doutoramento.
De comum com a FCT, tem a FFMS o desejo de avaliar, de modo independente, a selecção e a realização de projectos.
A Fundação é uma espécie de instituto ou centro de estudos?
Não há semelhanças. Um instituto ou centro de estudos, público ou privado, tem várias características e missões que a FFMS não tem. Aqueles destinam-se a criar comunidades científicas e a albergar, dentro das suas portas, equipas de trabalho, enquanto esta não tem essas pretensões, limita-se a escolher, seleccionar e apoiar projectos a levar a cabo fora da Fundação.
Os institutos e centros de estudo, sobretudo os da área oficial e estatal, têm em geral a formação, a graduação e pós-graduação e a investigação fundamental como prioridades e principais características. Esses objectivos estão ausentes da missão da FFMS.
Os projectos da Fundação serão de carácter académico?
A maior parte dos centros de estudos e institutos, sobretudo os da área pública, tem sobretudo ou exclusivamente uma função académica. A FFMS pretende estimular o rigor académico e científico na análise e nos métodos de trabalho, mas tem uma vocação marcada pela missão de intervenção: pretende colocar à discussão pública todos os seus projectos e exige dos responsáveis pelos projectos a elaboração de recomendações e a apresentação de propostas. A FFMS não tem como prioridade desenvolver a ciência ou a comunidade académica, mas sim levar a cabo actividades úteis à colectividade e às instituições públicas.
A FFMS prestará atenção ao rigor na análise feita pelos responsáveis dos projectos. Em particular, promoverá, sempre que possível, a comparação entre realidades nacionais diferentes e em diversos contextos sociais; assim como se esforçará por que sejam levadas a cabo comparações com outros países, designadamente europeus e de língua portuguesa.
A isenção e o rigor na análise são compatíveis com a elaboração de sugestões e recomendações?
A FFMS tentará ultrapassar as contradições que possam existir entre o rigor académico e a formulação de opiniões. Não serão, por exemplo, definidos projectos para provar ou fundamentar uma opinião previamente estabelecida. Antes pelo contrário, as opiniões serão, na medida do possível, o resultado dos estudos realizados, da evidência encontrada e da reflexão subsequente. Estes são problemas clássicos inerentes às actividades de estudo e à organização académica. A FFMS não tem a pretensão de os resolver, mas conhece-os e procurará ultrapassá-los ou evitar as suas consequências.
A Fundação associa-se às conclusões dos estudos que patrocina? E subscreve as sugestões feitas pelos seus responsáveis?
Ao definir prioridades, áreas e projectos de estudo, a Fundação está evidentemente a emitir juízos de valor. Mas pretende fazê-lo em termos genéricos e apenas relativamente à importância dos temas escolhidos. Quanto às conclusões e recomendações, elas serão da responsabilidade dos seus autores, não devendo a FFMS tomar partido ou partilhar as opções e o seu conteúdo. A isenção da Fundação deverá também medir-se pela distância que mantém relativamente a sugestões e propostas de políticas públicas.
O âmbito dos estudos que a Fundação promoverá é exclusivamente nacional?
Segundo os estatutos, o objecto de análise é “a realidade portuguesa”. É todavia evidente que esta expressão inclui dimensões externas necessárias, como sejam a política externa e de defesa, as relações de Portugal com os países vizinhos, com os da União Europeia e com os países de língua portuguesa.
Além disso, para melhor compreender a realidade portuguesa, é muitas vezes indispensável ou útil proceder a comparações com outros países.
Os estudos de carácter local ou regional têm cabimento nos planos da Fundação?
Os estudos que a Fundação venha a patrocinar poderão ser de âmbito nacional, regional ou local. Poderão traduzir-se em monografias locais e institucionais. Poderão considerar apenas a dimensão nacional, mas terão em atenção a diversidade interna e regional. A FFMS chamará a atenção dos responsáveis de projectos para a análise comparativa, frequentemente rica em conclusões, colocando lado a lado regiões, comunidades e instituições de diversos contextos sociais e diferente localização geográfica. Os estudos locais a realizar pela Fundação deverão, tanto quanto possível, permitir generalizações ou sugerir conclusões de interesse mais vasto.
A Fundação é um “think tank”?
Há uma grande variedade de “think tanks” no mundo, sobretudo nos países anglo-saxónicos. Em termos gerais, são organizações que realizam investigações e patrocinam discussões com vista à elaboração de propostas de políticas públicas, como por exemplo de política social, de defesa e estratégia, de acção política, de ambiente e ecologia ou de educação.
Há “think tanks” criados pelos governos, por organizações internacionais, por universidades, por partidos políticos, por grupos económicos, por empresas, por sindicatos, por grupos de interesses ou por entidades religiosas.
Estas características fazem com que a FFMS possa ser, à primeira vista, considerada como um “think tank”. Todavia, alguns traços próprios eliminam em grande parte essa classificação. A FFMS não tem um programa político ou doutrinário; não está ligada a uma “família política” definida; não está vocacionada, na sua missão ou nos seus estatutos, para promover ou defender uma certa e determinada ideia com conotações políticas; e não é animada, de modo permanente, por políticos ou pensadores que fazem da instituição uma comunidade de interesses.
Tanto na Europa como nos Estados Unidos da América e no Canadá, há inúmeros “think tanks”, que aliás desempenham muito interessantes actividades, mas que estão pública e notoriamente identificados como “conservadores”, “social democráticos”, “liberais”, “centristas”, “republicanos”, “democráticos”, “socialistas”, “populares”, etc. Muitos são financiados por fundos dos governos, dos parlamentos ou dos partidos políticos. A FFMS não tem uma simpatia ou uma afinidade política de eleição. Não mantém relações privilegiadas com certos partidos ou organizações de carácter político. Finalmente, as suas actividades e as suas propostas não se destinam a promover ou favorecer os interesses da família fundadora nem do grupo económico que esta controla.
A que públicos se dirige a Fundação? Às elites? A toda a população?
Em princípio, a FFMS dirige-se a toda a gente. Mas essa declaração não basta para definir uma linguagem, um estilo e um carácter. O principal destinatário da Fundação é o público informado. Nem só as elites académicas, políticas, culturais e económicas; mas também não toda a população, indiferentemente. As matérias que a FFMS se propõe estudar são geralmente complexas. Os temas e as propostas são difíceis. Mas as condições de vida e os problemas são de todos. Quer isto dizer que a Fundação esforçar-se-á por que os seus estudos se traduzam em linguagem clara e em demonstrações acessíveis, sem por aí procurar animar “movimentos de massas”. Os trabalhos, os documentos, as reuniões, as propostas, os debates e as publicações evitarão as “culturas especializadas” ou “tribais”, tão frequentes na academia, na investigação científica, nos negócios e nas actividades culturais, e procurarão, sem exagero de simplicidade, ser acessíveis a todas as pessoas interessadas e informadas.
A Fundação tem vontade de intervir na vida política? Tem um programa? Pretende influenciar os partidos?
A FFMS não tem veleidades nem ambições políticas. Não tem preferência por partidos ou governos. Não realiza as suas actividades com a finalidade de promover um partido. E não tem um projecto ou um programa político. Mas procurará influenciar ou trazer para a discussão pública os partidos e os políticos, tal como todas as pessoas, organizações e instituições que tenham um papel na formulação de políticas públicas.
A FFMS considera que o debate público e a participação cívica são vantajosos para os direitos dos cidadãos e a consolidação das liberdades públicas. Constituem também factores de melhoramento das leis, das políticas e das instituições. Por essas vias do estudo, da recomendação e do debate, a FFMS tem a ambição de influenciar e contribuir para melhorar as condições de vida da colectividade.
A Fundação está próxima de algum partido político?
De nenhum. A FFMS considera que os partidos políticos, sem privilégio e sem exclusão, estão entre os destinatários do seu trabalho, pois desempenham um papel importante na elaboração de propostas de políticas públicas e na organização das instituições públicas, mas entende não fomentar com eles qualquer ligação ou proximidade.
De que modo vai a Fundação tornar públicos os resultados do seu trabalho?
De todos os modos possíveis, adequados aos temas e à natureza dos projectos. A FFMS recorrerá muito especialmente à Internet, que se tornou no modo privilegiado de informação e comunicação de uma grande parte das populações. A sua página foi criada em Novembro de 2009: www.ffms.pt. Nessa mesma altura foi criada a página da PORDATA – Base de Dados Portugal Contemporâneo: www.pordata.pt. Outros meios de informação e divulgação incluem livros, brochuras, CD, DVD, filmes e programas de televisão, etc. As actividades destinadas a divulgar os seus projectos serão da mais variada natureza: seminários, conferências, sessões públicas, debates em escolas, associações e bibliotecas, etc.
No início de 2010, aparecerão ao público os primeiros volumes de uma colecção de “Ensaios da Fundação” com os quais a FFMS pretende promover o debate de ideias. Estes livros distinguem-se dos publicados como resultado dos projectos, dado que são propriamente “ensaios”. Com eles, os autores defenderão as suas ideias sobre os temas escolhidos. Os argumentos deverão ser informados e rigorosos, mas o ensaio será claramente opinativo. A FFMS entende que o debate de ideias exige também o confronto de opiniões livres.
A actuação da Fundação esgota-se na publicação dos resultados dos seus estudos?
O mais importante objectivo é o de promover o debate público. A publicação de resultados e de informação tem sempre esse objectivo primordial. Todos os meios serão utilizados com esse fim. A FFMS tomará directamente iniciativas de organização de debates à volta dos temas e dos projectos cuja realização promoveu.