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CONFERÊNCIAS DE EDUCAÇÃO
CICLO DE OUTONO
QUESTÕES-CHAVE DA EDUCAÇÃO
A Fundação Francisco Manuel dos Santos considera que a educação é um pressuposto e um factor de desenvolvimento do País, e reconhece a necessidade de basear os debates e escolhas educativas em informação de base empírica e científica.
Com este ciclo de conferências, a Fundação propõe-se fomentar a vinda a Portugal de especialistas internacionais e contribuir para a difusão no nosso país de estudos recentes de fundamentação científica. Oferece-se uma oportunidade de debate em que intervirão especialistas, professores, pais e todos os interessados no problema da educação.
ENTRADA LIVRE MEDIANTE INSCRIÇÃO PRÉVIA
 OUTUBRO - 2010
 NOVEMBRO - 2010
 DEZEMBRO - 2010
11 de Outubro, 14h30–17h00 Faro,
Grande Auditório da Universidade do Algarve – Campus de Gambelas
14h30–14h45 – Sessão de Abertura
António Barreto , presidente do Conselho de Administração da FFMS
Prof. Doutor João Guerreiro, reitor da Universidade do Algarve
14h45–15h45 – O Valor de Educar
Fernando Savater, Universidade de Madrid
15h45–16h00 – O Pensamento Educativo em Espanha
Ricardo Moreno Castillo, Universidade Complutense de Madrid
16h00–16h15 – O Pensamento Educativo em Portugal
Nuno Crato, ISEG-UTL
16h15–16h45 – Debate
moderado por António Branco, director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve
AGENDA LISBOA
As estatísticas postas ao dispor dos portugueses através
da Pordata, em 2010, servem de indicadores sobre as
tendências sociais ocorridas em Portugal, no último meio
século. Maria João Valente Rosa, professora universitária e
demógrafa, e Paulo Chitas, jornalista e docente do ensino
superior, propõem uma leitura sobre as trajectórias de
Portugal em áreas como a População, o Estado Social, o
Trabalho e os Rendimentos, a Justiça, a Família e os Modos
de Vida. Uma viagem que conta os rápidos avanços que o
País efectuou desde 1960 mas que também não esquece
bloqueios e obstáculos ao progresso social que persistem e
que são motivo de incomodidade.
Maria do Carmo Vieira
Como avalia a sua carreira de professora?
Não penso um professor em termos de carreira, mas de vocação. Uma vocação que, no meu caso, enquanto professora de Português, se obstina em dar a conhecer a obra daqueles que o tempo demonstrou imortais, propiciando aos alunos uma experiência, a sua própria experiência perante um texto belo, que, de forma mais ou menos perceptível, os pode marcar, e mesmo abalar, no sentido de uma descoberta benéfica que terá certamente influência no seu futuro. Essa é a grande alegria de qualquer professor, a de acreditar que pode ser útil aos seus alunos.
Num país onde o analfabetismo já é uma minoria, porque é que não se lê?
Creio que se lê em quantidade, mas não em qualidade, situação que, a meu ver, decorre do facto de diariamente se abater sobre as pessoas uma avalancha de estímulos, que as seduz para o que é leve, rápido e fácil de entender, aliviando-as de qualquer intervenção crítica. É evidente que da convivência contínua com a mediocridade não advirá nada de bom, e assim se habitua e treina o espírito na preguiça de pensar, convidando-se ao consumo de leituras fáceis e estéreis de êxito garantido.
Escrever ensaios que não se dirigem a especialistas mas a todos os que desejam ser informados – um grande desafio?
Especialistas, progresso técnico ou mudança são vocábulos que caracterizam o tempo actual e que ardilosamente nos pretendem confundir, para mais facilmente se imporem como imprescindíveis. Daí a importância de pensar pela nossa própria cabeça, partilhando de vozes que nos são exemplo e não descurando o estudo; de ter consciência crítica relativamente ao desenfreado avanço tecnológico que também escraviza ou de recusar a mudança só pela mudança, o novo só pelo novo. Surgem, pois, estes ensaios como um meio de não nos isolarmos, envolvendo-nos com os outros num gratificante diálogo reflexivo.
Perfil
Maria do Carmo Vieira nasceu em Lisboa em 1952. É licenciada em Filologia Românica e mestre em Literatura de Viagens e professora do Ensino Secundário. Coordenou, com Rui Mário Gonçalves, a publicação de Passo e Fico como o Universo, um livro de pintura de influência pessoana. É também autora de Sobre Fernando Pessoa – Drama em Gente e Percurso Pessoano por Lisboa e de A Arte, Mestra da Vida. Coordenou a fixação do texto de Etiópia Oriental e Vária História de Cousas Notáveis do Oriente de Fr. João dos Santos (Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999). Tem publicado, em jornais diários e semanários, inúmeros artigos sobre o ensino do Português.
Luciano Amaral
A sua visão do futuro de Portugal é de um grande cepticismo. Tendo já estudado fora, tem vontade de voltar a sair do país?
Sim, mas não para fugir do país. Comparando com os outros dois onde vivi (Itália e Inglaterra), Portugal é o país em que me sinto melhor (o que não quer dizer que seja o melhor).
Escrever para todos os que desejam ser informados: acha que é a maioria da população?
Acho que sim. Muitas vezes o problema está do lado de quem deveria informar, constituído por pessoas que não conseguem sair do código cifrado da sua especialidade (ou que então se protegem deliberadamente atrás dele, assim evitando maior escrutínio público).
Como encara a perspectiva de ver o seu ensaio tanto em livrarias como na caixa de pagamento de um supermercado, por exemplo?
Encaro bem. Porque deveria encarar mal?
Perfil
Luciano Amaral nasceu em 1965 no Porto. É licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em História e Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, com especialização na área de História Económica. Tem-se dedicado sobretudo ao problema do crescimento económico em Portugal no período do pós-guerra.
Ensina na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e foi colunista regular, entre 2005 e 2009, dos jornais O Independente, Diário de Notícias e Meia Hora. Desde 2009, escreve no jornal Metro.
Economia Portuguesa: as últimas décadas
Depois de um longo período de optimismo entre 1986
e 2000, o pessimismo sobre a economia portuguesa está de
regresso. Há razões para isso: nos últimos dez anos, em
comparação com os países mais ricos, perdemos um terço
do caminho que havíamos recuperado até ao ano 2000.
Continuamos em plena década perdida. Neste livro, a
evolução da economia portuguesa é analisada desde os anos
finais do Estado Novo até à actualidade. Conclui-se que, se
desde o 25 de Abril convergimos muito rapidamente em
termos institucionais com a Europa desenvolvida (na
instauração da democracia e do Estado-Providência), o
mesmo não sucedeu em termos económicos. O balanço é decepcionante e as perspectivas de futuro nada animadoras.
Para a resolução do seu problema económico, o país necessita
de se confrontar com decisões políticas extremamente
complexas e de grande alcance, que não se vislumbra que
venham a ser tomadas nos próximos tempos. A década
perdida aqui está – e parece que veio para ficar.
Na selecção dos temas a tratar, a colecção obedece aos
princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos:
conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e
resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate
público. O principal desígnio desta colecção resume-se em duas
palavras: pensar livremente.
O Ensino do Português
Em O Ensino do Português salienta-se a existência de
uma certa pedagogia encarada como inovadora, mas que,
na verdade, se baseia na aplicação de teorias da educação
ultrapassadas. Instalada oficialmente no Ensino, desde 2003,
reflectiu-se nos curricula, fomentando de forma leviana a
rivalidade entre «velho» (o que não é bem-vindo e não tem
carácter lúdico) e «novo» (o que é privilegiado por ser
recreativo), com a consequente alteração de vocabulário e de
valores que caracterizam a «mudança» instituída e a validam
acriticamente como certa. Assim, exigência, força de vontade,
desejo de ultrapassar a dificuldade, de compreender
e de saber foram substituídos em bloco pela convivência
com a facilidade e o sucesso garantido, mais não visando que
a obtenção de metas estatísticas. Esta situação atingiu todas
as matérias escolares, em particular a disciplina de Português,
na qual se privilegiam insensatamente o texto informativo e
o texto utilitário, bem como a linguística descritiva e
tecnicista, em detrimento da literatura e da gramática normativa,
respectivamente.
Não podem os professores, em cuja competência os
alunos depositam confiança, permitir que o Ensino continue
refém dos ditames de «especialistas da educação», cujas
teorias conduziram, na prática, à degradação da Escola
Pública.
Na selecção dos temas a tratar, a colecção obedece aos
princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos:
conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e
resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate
público. O principal desígnio desta colecção resume-se em duas
palavras: pensar livremente.
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