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COLECÇÃO DE ENSAIOS

A Fundação Francisco Manuel dos Santos promove a publicação de textos breves que, de forma rigorosa e fundamentada, exprimam as opiniões dos respectivos autores sobre os mais diversos problemas contemporâneos, com especial incidência na realidade portuguesa.

Na selecção dos temas a tratar, a colecção obedece aos princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos, articulando-se a linha editorial com os seus grandes objectivos programáticos: conhecer Portugal, pensar o País e contribuir para a idenificação e a resolução dos grandes problemas nacionais, assim como promover o debate público. O principal desígnio desta colecção resume-se em poucas palavras: pensar livremente.

O Ensino do Português

"O ensino do Português"
de Maria do Carmo Vieira

Preço:
3,50€ (5,00€ no acabamento capa dura)

O Ensino do Português

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Economia Portuguesa

"Economia Portuguesa"
de Luciano Amaral

Preço:
3,50€ (5,00€ no acabamento capa dura)

O Ensino do Português

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Portugal e os numeros

"Portugal e os Números"
de Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

Preço:
3,50€ (5,00€ no acabamento capa dura)

O Ensino do Português

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Maria João Valente Rosa

Com uma vida profissional dedicada à estatística, acha que os números falam por si?
Os números falam por si, traduzem realidades, factos que são quantificáveis.
Infelizmente, porque os números falam por si, as tentativas de os silenciar, de não os revelar, acontecem por vezes. A mentira que é atribuída aos números tem a ver, não com eles, mas com as manipulações a que muitas vezes são sujeitos.
Os números são um ponto de partida essencial para nos conhecermos melhor, para pensarmos a sociedade. É preciso saber ouvir o que os números transmitem, o que nem sempre é simples. Por isso, é importante contribuir para disseminar, com rigor, os números e o seu significado, mas de forma simples, permitindo que todos os interessados a eles tenham acesso. E aqui considero que Portugal, em especial nos anos mais recentes, tem feito significativos avanços na forma como a informação estatística é produzida e divulgada.

Acredita que em Portugal as pessoas estão abertas a debater publicamente os temas relevantes da sociedade?
A sociedade é feita de homens, é algo que nos implica a todos. Por isso, o interesse em debater o que somos é geral, acredito!
Mas, para debatermos seriamente temas de sociedade, precisamos de ter informação. É a partir dela que o pensamento se constrói. Ora, é aí que muitas vezes o desespero acontece. Perante o desconhecimento de uma realidade objectiva, muitas pessoas passam a dissertar sobre realidades fictícias, e opinativas, ou pura e simplesmente desistem de participar no debate, passando a pensar pela cabeça de outros.
Assim, a falta de debate aberto atribuo-a muito a alguma dispersão dos números, que dificultam o acesso à origem das temáticas que nos envolvem a todos – ou seja, o acesso aos factos e ao seu exacto sentido –, e não tanto ao menor interesse em se discutir sobre temas da sociedade.

É possível tornar as estatísticas uma linguagem acessível para a todos?
As estatísticas lidam com números que não são abstractos, representam realidades que a todos dizem respeito.
Reconheço que nem sempre é fácil encontrar a boa fórmula de contacto entre o produtor de informação, que tem como imperativo o rigor estatístico, e o utilizador, que necessita de uma mensagem clara e simples. Mesmo em termos de linguagem, são dois mundos com frequente falta de sintonia. E é precisamente aí que está o grande desafio: o de as estatísticas serem compreendidas por todos os que nelas estão interessados sem pecarem no rigor. Embora não seja fácil consegui-lo, sei que é possível. É uma ambição que não está muito longe das nossas capacidades actuais. A Pordata – Base de Dados de Portugal Contemporâneo – é, aliás, um bom exemplo disso.

Perfil

Maria João Valente Rosa, professora universitária, nasceu em Lisboa em 1961. Licenciada e doutorada em Sociologia, pela FCSH/UNL. Directora da Pordata — Base de dados Portugal Contemporâneo —, é autora de vários estudos publicados sobre a população portuguesa. Desempenhou funções de dirigente em organismos públicos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Integrou o Conselho Superior de Estatística e assegurou a representação nacional em várias instâncias europeias e internacionais (Comissão Europeia, Eurostat, OCDE) relacionadas com a produção de estatísticas.

 

Paulo Chitas

Sendo um repórter de Política Nacional, como foi a experiência de analisar estatística portuguesa?
Embora actualmente escreva sobre temas de política nacional para a revista Visão, a minha ligação às estatísticas tem quase duas décadas, como jornalista e como demógrafo. Contudo, a experiência de escrever Portugal: os Números foi mais intensa e extensa do que as que havia tido em momentos anteriores. Mais intensa pela necessidade de esclarecer certas tendências para os quais as estatísticas apontavam mas cujas causas desconhecia (por exemplo, o aumento dos divórcios no pós-25 de Abril ou o rápido aumento do número de empresas, entre 2003 e 2004…); mais extensa pela abrangência do ensaio, que analisa dados de 12 áreas temáticas diferentes, da economia à cultura. Mas foi acima de tudo um agradável desafio – e um privilégio – ter a oportunidade de analisar áreas tão diversas da história recente da sociedade portuguesa.

Acredita que o preço dos livros é uma barreira à leitura?
Não julgo que o preço dos livros seja uma barreira à leitura. Por um lado, porque os preços baixaram, nos últimos anos. Por outro, porque os livros estão cada vez mais perto de todos nós, graças à densidade da rede de bibliotecas públicas e de bibliotecas escolares. Claro que continuarão a existir livros bastante caros – por exemplo, alguns sobre Matemática avançada têm preços astronómicos… – mas é certo que os livros base, essenciais para uma formação condigna ou para fruir do prazer da leitura, são acessíveis à maioria da população, por vezes apenas pelo preço do cartão de leitor da biblioteca. Em Portugal não há o hábito, como em muitos outros países – lembro-me do Canadá –, de ir à biblioteca mais próxima de casa buscar os livros de que necessitamos ou de aí ler os jornais e revistas da semana…

Pensar livremente – acha que os portugueses gostam de formar opiniões?
Para pensar sem entraves, não basta ter o nível de liberdade suficiente para se exprimir uma opinião, é preciso ter informação de qualidade para a sustentar. Daí que repute de muito útil o projecto da Pordata – põe ao dispor de todos os que têm acesso à Internet, através de dois ou de três cliques, a informação essencial para se compreender como evoluiu um determinado aspecto da sociedade portuguesa.
A informação torna redundantes discussões que incidem sobre os factos quando deviam confrontar opiniões. Para pensar livremente, é preciso saber o que somos, o que temos, como fomos e como estamos a evoluir – é preciso dispor de informação. Então é altura de a interpretar e de apresentar argumentos, desenhar políticas, convencer opositores e interlocutores das nossas propostas. Mostrar que a nossas «opiniões» são fundadas e que merecem a adesão dos outros. E não perder muito tempo com escaramuças inúteis em torno daquilo que considero um direito inalienável mais do que um privilégio – informação de qualidade e facilmente disponível. Só então se «pensa livremente».

Perfil

Paulo Chitas, jornalista, nasceu em Loures em 1967. Licenciado em Filosofia e mestre em Sociologia (especialidade de Demografia), pela FCSH/UNL, é também professor do ensino superior. Actualmente grande repórter da revista Visão, trabalhou também para televisão e para outros títulos de imprensa portuguesa, cobrindo preferencialmente temas de ambiente, ensino e de política nacional.

Portugal e os números

As estatísticas postas ao dispor dos portugueses através da Pordata, em 2010, servem de indicadores sobre as tendências sociais ocorridas em Portugal, no último meio século. Maria João Valente Rosa, professora universitária e demógrafa, e Paulo Chitas, jornalista e docente do ensino superior, propõem uma leitura sobre as trajectórias de Portugal em áreas como a População, o Estado Social, o Trabalho e os Rendimentos, a Justiça, a Família e os Modos de Vida. Uma viagem que conta os rápidos avanços que o País efectuou desde 1960 mas que também não esquece bloqueios e obstáculos ao progresso social que persistem e que são motivo de incomodidade.

Maria do Carmo Vieira

Como avalia a sua carreira de professora?
Não penso um professor em termos de carreira, mas de vocação. Uma vocação que, no meu caso, enquanto professora de Português, se obstina em dar a conhecer a obra daqueles que o tempo demonstrou imortais, propiciando aos alunos uma experiência, a sua própria experiência perante um texto belo, que, de forma mais ou menos perceptível, os pode marcar, e mesmo abalar, no sentido de uma descoberta benéfica que terá certamente influência no seu futuro. Essa é a grande alegria de qualquer professor, a de acreditar que pode ser útil aos seus alunos.

Num país onde o analfabetismo já é uma minoria, porque é que não se lê?
Creio que se lê em quantidade, mas não em qualidade, situação que, a meu ver, decorre do facto de diariamente se abater sobre as pessoas uma avalancha de estímulos, que as seduz para o que é leve, rápido e fácil de entender, aliviando-as de qualquer intervenção crítica. É evidente que da convivência contínua com a mediocridade não advirá nada de bom, e assim se habitua e treina o espírito na preguiça de pensar, convidando-se ao consumo de leituras fáceis e estéreis de êxito garantido.

Escrever ensaios que não se dirigem a especialistas mas a todos os que desejam ser informados – um grande desafio?
Especialistas, progresso técnico ou mudança são vocábulos que caracterizam o tempo actual e que ardilosamente nos pretendem confundir, para mais facilmente se imporem como imprescindíveis. Daí a importância de pensar pela nossa própria cabeça, partilhando de vozes que nos são exemplo e não descurando o estudo; de ter consciência crítica relativamente ao desenfreado avanço tecnológico que também escraviza ou de recusar a mudança só pela mudança, o novo só pelo novo. Surgem, pois, estes ensaios como um meio de não nos isolarmos, envolvendo-nos com os outros num gratificante diálogo reflexivo.

Perfil

Maria do Carmo Vieira nasceu em Lisboa em 1952. É licenciada em Filologia Românica e mestre em Literatura de Viagens e professora do Ensino Secundário. Coordenou, com Rui Mário Gonçalves, a publicação de Passo e Fico como o Universo, um livro de pintura de influência pessoana. É também autora de Sobre Fernando Pessoa – Drama em Gente e Percurso Pessoano por Lisboa e de A Arte, Mestra da Vida. Coordenou a fixação do texto de Etiópia Oriental e Vária História de Cousas Notáveis do Oriente de Fr. João dos Santos (Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999). Tem publicado, em jornais diários e semanários, inúmeros artigos sobre o ensino do Português.

Luciano Amaral

A sua visão do futuro de Portugal é de um grande cepticismo. Tendo já estudado fora, tem vontade de voltar a sair do país?
Sim, mas não para fugir do país. Comparando com os outros dois onde vivi (Itália e Inglaterra), Portugal é o país em que me sinto melhor (o que não quer dizer que seja o melhor).

Escrever para todos os que desejam ser informados: acha que é a maioria da população?
Acho que sim. Muitas vezes o problema está do lado de quem deveria informar, constituído por pessoas que não conseguem sair do código cifrado da sua especialidade (ou que então se protegem deliberadamente atrás dele, assim evitando maior escrutínio público).

Como encara a perspectiva de ver o seu ensaio tanto em livrarias como na caixa de pagamento de um supermercado, por exemplo?
Encaro bem. Porque deveria encarar mal?

Perfil

Luciano Amaral nasceu em 1965 no Porto. É licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em História e Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, com especialização na área de História Económica. Tem-se dedicado sobretudo ao problema do crescimento económico em Portugal no período do pós-guerra.
Ensina na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e foi colunista regular, entre 2005 e 2009, dos jornais O Independente, Diário de Notícias e Meia Hora. Desde 2009, escreve no jornal Metro.

Economia Portuguesa: as últimas décadas

Depois de um longo período de optimismo entre 1986 e 2000, o pessimismo sobre a economia portuguesa está de regresso. Há razões para isso: nos últimos dez anos, em comparação com os países mais ricos, perdemos um terço do caminho que havíamos recuperado até ao ano 2000.
Continuamos em plena década perdida. Neste livro, a evolução da economia portuguesa é analisada desde os anos finais do Estado Novo até à actualidade. Conclui-se que, se desde o 25 de Abril convergimos muito rapidamente em termos institucionais com a Europa desenvolvida (na instauração da democracia e do Estado-Providência), o mesmo não sucedeu em termos económicos. O balanço é decepcionante e as perspectivas de futuro nada animadoras.
Para a resolução do seu problema económico, o país necessita de se confrontar com decisões políticas extremamente complexas e de grande alcance, que não se vislumbra que venham a ser tomadas nos próximos tempos. A década perdida aqui está – e parece que veio para ficar.
Na selecção dos temas a tratar, a colecção obedece aos princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos: conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate público. O principal desígnio desta colecção resume-se em duas palavras: pensar livremente.

O Ensino do Português

Em O Ensino do Português salienta-se a existência de uma certa pedagogia encarada como inovadora, mas que, na verdade, se baseia na aplicação de teorias da educação ultrapassadas. Instalada oficialmente no Ensino, desde 2003, reflectiu-se nos curricula, fomentando de forma leviana a
rivalidade entre «velho» (o que não é bem-vindo e não tem carácter lúdico) e «novo» (o que é privilegiado por ser recreativo), com a consequente alteração de vocabulário e de valores que caracterizam a «mudança» instituída e a validam acriticamente como certa. Assim, exigência, força de vontade, desejo de ultrapassar a dificuldade, de compreender e de saber foram substituídos em bloco pela convivência com a facilidade e o sucesso garantido, mais não visando que a obtenção de metas estatísticas. Esta situação atingiu todas as matérias escolares, em particular a disciplina de Português,
na qual se privilegiam insensatamente o texto informativo e o texto utilitário, bem como a linguística descritiva e tecnicista, em detrimento da literatura e da gramática normativa, respectivamente.
Não podem os professores, em cuja competência os alunos depositam confiança, permitir que o Ensino continue refém dos ditames de «especialistas da educação», cujas teorias conduziram, na prática, à degradação da Escola Pública.
Na selecção dos temas a tratar, a colecção obedece aos princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos: conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate público. O principal desígnio desta colecção resume-se em duas palavras: pensar livremente.

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