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in Expresso
19.03.2011
Portugal Pensionista
Portugal tem 3,420 milhões de pensionistas.
Por cada 10 trabalhadores existem 6 pensionistas. Há menos de 30 anos este rácio era de 10 para 4.
O desemprego ultrapassou a barreira dos 10% e as perspetivas apontam para que a taxa de desemprego de longo prazo permaneça na casa dos dois dígitos.
Ainda temos de somar a contribuição negativa de uma economia em recessão ou estagnada. As contas são de Fernando Ribeiro Mendes e constam do seu ensaio "Segurança Social, o futuro hipotecado", publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. O ex-secretário de Estado da Segurança Social e professor universitário não tem dúvidas de que, assim como estão, as coisas não podem continuar.
Atenção, isto depois de o anterior Governo, pela mão de Vieira da Silva, ter produzido uma das mais importantes reformas da segurança social. Aplaudida por todos, em público ou privado, acaba por não ser suficiente.
A solução de longo prazo passa por mexer na idade da reforma (para os 67 anos, apesar de os últimos dados da OCDE dizerem que em média os homens em Portugal já se reformam nesta idade) e passar para um sistema de capitalização ao melhor estilo sueco.
Mas estas são apostas de longo prazo. No curto, e para fazer frente à crise financeira, o Governo anunciou que se prepara para reduzir as pensões do mesmo modo que reduziu o salário da função pública.
Do mesmo modo não! Esta medida não é só para aplicar ao sector público, mas também a quem, tendo trabalhado no sector privado, fez os seus descontos normais para a segurança social. Numa primeira análise, se a redução for progressiva e aplicada para pensões só a partir de determinado montante, não parece ser uma medida injusta.
Seria, no entanto, mais justo olhar para o problema das pensões de uma forma global. O que está controlado hoje, vai ser uma dor de cabeça financeira amanhã. Aquilo que eu desconto hoje nunca irá refletir o valor que irá ter a minha reforma, se tiver reforma, é claro.
Em 1991, Cavaco Silva resolveu criar o 14º mês, vulgo subsídio de férias, para todos os pensionistas. Se quem recebe uma pensão é quem está reformado, porque precisa de um subsídio de férias. Não é por si só a reforma um subsídio de férias?
Não seria melhor medida acabar com esta anormalidade? Isto é, terminar com o 14º mês para os pensionistas e utilizar a poupança para aumentar as reformas mais baixas, essas sim necessárias para retirar da pobreza milhares de idosos e ainda poupar dinheiro?
A mim não me sai da cabeça como é possível que quem aufere reformas milionárias tenha direito a um subsídio de férias e até a um subsídio de Natal. Mas se calhar o mal é meu por me preocupar tanto com os descontos que faço.

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