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in Página 1
17.06.2011
Sociedade discrimina os idosos
O livro " Discriminação na Terceira Idade", obra da investigadora Sibila Marques, doutorada em Psicologia Social, ontem lançada em Lisboa, apresenta exemplos de como as sociedades discriminam os mais velhos, desde logo, no mercado de trabalho.
A Europa é a região mais envelhecida do mundo e Portugal um dos países mais envelhecidos da Europa. Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística, daqui a 25 anos o número de idosos com mais de 65 anos deverá ser duplo do número de jovens até aos 14 anos.
Para Sibila Marques, essa realidade coloca desafios ao mercado de trabalho, à economia e à produtividade, mas também à protecção social e finanças públicas. Os mais velhos são vítimas do fenómeno de idadismo, ou seja, de discriminação em função da idade.
No estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a investigadora afirma que são vistos como um "fardo", "doentes", "incapazes", "incompetentes". E, em iguais circunstâncias, chegam a ser tratados com desprezo ou, ao contrário, com excessivo paternalismo. Sibila Marques defende que é um fenómeno que precisa de ser tratado.
"As pessoas mais velhas são discriminadas nas acções deformação, por exemplo, no tipo de funções que lhes são distribuídas nas empresas e, portanto, temos que começar a ser mais atentos a esta questão no mundo do trabalho, mas também no contexto da saúde, das acessibilidades, até nos meios de comunicação social", sublinha a autora.
Sibila Marques defende que o idadismo tem que começar a ser combatido logo nos bancos de escola, à semelhança do que acontece com o sexismo ou o racismo ou com a promoção da reciclagem.
Constata também a investigadora que os próprios partidos não se mostram preocupados com os seniores: têm secções de juventude, mas não para os mais velhos.
A União Europeia tem uma directiva que proíbe a discriminação em função da idade, mas na prática as sucessivas adendas têm criado excepções ao ponto de a própria directiva já ser vista como discriminatória e carente de ajustamentos. Eventualmente, uma medida para adoptar em 2012 no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo.
Flexibilização da idade da reforma
Presente na apresentação do livro esteve o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, António Barreto, que face ao que ouviu-admitiu ser defensor da flexibilização da idade da reforma, de modo a que "não haja uma idade obrigatória de reforma".
O sociólogo defendeu também que "as idades de reforma possam ser adequadas à saúde das pessoas, ao desejo das pessoas, à liberdade de escolha, do empregador, das empresas". -
in Jornal Notícias
16.06.2011
Discriminação é incompatível com mais idosos
António Barreto defende que Portugal tem de encontrar soluções flexíveis e não discriminatórias para a terceira idade, até porque tem o maior risco de envelhecimento da UE e de pobreza dos seus pensionistas até 2060. Uma delas é liberalizar a idade de reforma, para que quem tenha condições para trabalhar após os 65 anos o possa continuar a fazer, em acordo com as empresas.
"A idade de reforma não deve ser compulsiva", disse o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na apresentação de mais um volume da colecção Ensaios, sobre "A Discriminação da Terceira Idade", de Sibila Marques. O sociólogo exemplificou que se em cerca de 3 milhões de pensionistas 20% ainda estivessem a trabalhar, por sua vontade, seriam mais 600 mil pessoas a contribuir para a economia.
Denunciando um "défice de flexibilidade na sociedade portuguesa", tanto no sistema de pensões como no mercado de trabalho, António Barreto disse que "o Estado social deve estar em constante evolução e adaptação". E criticou a discriminação dos mais velhos, nomeadamente no mercado de trabalho, que é "incompatível com uma sociedade cada vez mais envelhecida".
Sibila Marques destacou a contradição" entre o aumento da idade de reforma que os governos defendem e a visão negativa face aos idosos e defendeu uma profunda mudança ideológica face a esta matéria, apoiada em campanhas de sensibilização. É que a directiva europeia que proíbe a discriminação com base na idade, apesar de já ter sido adoptada, "não está a ter efeitos práticos", admite aquela psicóloga.
A autora lembra, por outro lado, que a discriminação no mercado de trabalho e a reforma precoce tem não apenas custos pessoais e sociais, mas também económicos. "É sabido que o abandono precoce do trabalho, sobretudo se não desejado, acelera o envelhecimento e pode favorecer o aparecimento de doenças", disse Sibila Marques. Realidades que acabam por traduzir-se em custos agravados para os sistemas de saúde, mas também para quebras de produção. -
in Rádio Renascença
15.06.2011
Livro alerta para discriminação na terceira idade
Os mais velhos são vítimas do fenómeno de idadismo, ou seja, de discriminação em função da idade.
O livro “Discriminação na Terceira Idade” foi lançado hoje, uma obra em que a investigadora Sibila Marques apresenta exemplos de como as sociedades discriminam os mais velhos, desde logo, no mercado de trabalho.
A Europa é a região mais envelhecida do mundo e Portugal um dos países mais envelhecidos da Europa. Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística, daqui a 25 anos o número de idosos com mais de 65 anos deve duplicar o de jovens até aos 14 anos.
Para Sibila Marques, autora do estudo sobre a discriminação na terceira idade, essa realidade coloca desafios ao mercado de trabalho, à economia e à produtividade, mas também à protecção social e finanças públicas.
Ainda por cima, os mais velhos são vítimas do fenómeno de idadismo, ou seja, de discriminação em função da idade. No estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a investigadora afirma que são vistos como um “fardo”, “doentes”, “incapazes”, “incompetentes”. E, em iguais circunstâncias, chegam a ser tratados com desprezo ou, ao contrário, com excessivo paternalismo. Sibila Marques defende que é um fenómeno que precisa de ser tratado.
“As pessoas mais velhas são discriminadas nas acções de formação, por exemplo, no tipo de funções que lhes são distribuídas nas empresas e, portanto, temos que começar a ser mais atentos a esta questão no mundo do trabalho, mas também no contexto da saúde, das acessibilidades, até nos meios de comunicação social”, sublinha a Sibila Marques.
A investigadora doutorada em psicologia social considera por isso que o idadismo tem que começar a ser combatido logo nos bancos de escola, à semelhança do que acontece com o sexismo ou o racismo ou como se promove a reciclagem. Constata também que os próprios partidos não se mostram preocupados com os seniores: têm secções de juventude mas não para os mais velhos.
A União Europeia tem uma directiva em que proíbe a discriminação em função da idade, mas na prática as sucessivas adendas têm criado excepções ao ponto da própria directiva já ser vista como discriminatória e precisar de ajustamentos. Eventualmente uma medida para adoptar em 2012 no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo.
António Barreto defende flexibilização da idade da reforma
Presente na apresentação deste livro esteve António Barreto, que – face ao que ouviu – admitiu ser defensor da flexibilização da idade da reforma.
A possibilidade de voluntariamente trabalhar mais anos.
“Em primeiro lugar, começar a libertar a idade da reforma, que não haja uma idade obrigatória de reforma”, defende o sociólogo. O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos defende ainda que “as idades de reforma possam ser adequadas à saúde das pessoas, ao desejo das pessoas, liberdade de escolha, do empregador, das empresas, portanto que não haja uma idade da reforma fixa”.Links
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in Público.pt
15.06.2011
António Barreto critica idade de reforma obrigatória
António Barreto criticou esta quarta-feira a idade de reforma obrigatória e referiu que uma maior percentagem da população idosa activa permitiria uma maior contribuição económica.
A fundação Francisco Manuel dos Santos apresentou esta quarta-feira, no Jardim da Parada, o seu mais recente ensaio ”Discriminação da Terceira Idade”, da investigadora Sibila Marques, que visa apelar ao fim da discriminação dos idosos e a uma mudança ideológica do modo como o envelhecimento é encarado nas sociedades.
António Barreto, presidente da fundação, diz não compreender a preferência dada aos mais jovens e critica ainda a “idade da reforma obrigatória”, afirmando que os idosos não devem ser “obrigados” a reformar-se ou até “proibidos” de exercer as suas funções, como conta já ter acontecido. Barreto defende que “a idade da reforma possa ser adequada à saúde das pessoas, ao desejo das pessoas, à liberdade de escolha, às possibilidades do empregador e das empresas”.
E adianta que se uma maior percentagem da população idosa “estivesse activa”, conseguiria “contribuir economicamente” para a sociedade. A autora do ensaio defende uma avaliação do desempenho entre os profissionais de idade mais avançada, como já acontece entre os jovens. Deste modo, a continuidade dos profissionais mais velhos nos seus postos de trabalho não seria impedida como consequência da idade, mas sim como consequência dos seus níveis de capacidade.
Defendendo uma população idosa mais activa no mercado de trabalho, Sibila Marques explica que uma mudança a este nível proporcionaria “ganhos de produtividade” e nega que os mais jovens possam ter mais criatividade e produtividade no exercício das suas funções.
A também psicóloga refere ainda o mercado, com publicidades direccionadas para idosos, algo que afirma já acontecer, e a educação junto das crianças como soluções para um afastamento das actuais ideias discriminatórias relativas ao envelhecimento. Quanto à questão que tem vindo a ser colocada na Europa, sobre um aumento da percentagem de desemprego entre os jovens, caso os idosos se mantenham nos seus postos de trabalho até mais tarde, Sibila Marques explica que uma cooperação e conjugação entre ambas as gerações poderia trazer benefícios ao mercado, nomeadamente ao nível do empreendedorismo.
Sibila refere ainda questões de saúde, explicando que os portugueses têm tendência para associar envelhecimento a doenças, sendo o “mal-estar” sentido pelos idosos influenciado por este factor. E assevera que o papel do médico é aqui fundamental, já que em Portugal estes profissionais tratam, por vezes, os seus pacientes como “incapazes” devido à sua idade.
A psicóloga afirma ainda que a fusão entre as pastas da saúde e da segurança social, que tem vindo a ser discutida nos últimos tempos, podia ser uma solução vantajosa para a criação de políticas direccionadas para o envelhecimento e acredita que os partidos “não estejam atentos” a esta problemática, ainda pouco falada “na nossa sociedade”.
Na apresentação do ensaio, houve ainda referência ao facto de não existirem secções partidárias para seniores, como acontece com as juventudes partidárias, uma consequência do esquecimento da população idosa por parte dos partidos, segundo referem os intervenientes do debate.
A investigadora e autora do ensaio mostra-se preocupada com as estatísticas, que apontam para uma duplicação das percentagens de envelhecimento na sociedade portuguesa e levanta questões sociais sobre a garantia da produtividade e do crescimento económico e a sustentabilidade da protecção social e das finanças públicas.Links

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