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Fazer contas ajuda a pensar?

Serão a rotina e o raciocínio opostos no processo de aprendizagem?

No ensino e na aprendizagem da matemática, a rotina e o raciocínio são vistos, muitas vezes, como actividades e conceitos contrários. Durante a conferência, esta questão foi abordada, particularmente no que diz respeito ao tipo de exercícios e problemas utilizados em contexto escolar, a partir dos conhecimentos da psicologia cognitiva e da matemática.

Do ponto de vista da psicologia cognitiva, o psicólogo Michel Fayol discutiu o que se sabe sobre o raciocínio matemático, a resolução de problemas e o papel da rotina na aprendizagem, procurando explicitar como se deve aplicar este conhecimento na prática educativa.

Do ponto de vista da matemática, Andrei Toom, recorrendo à sua experiência de matemático e professor em países como a Rússia e Estados Unidos da América, discutiu o papel dos exercícios e da resolução de problemas no ensino e na aprendizagem e os vários tipos de exercícios, problemas e desafios que podem ser utilizados na sala de aula.

Por último, foram apresentados alguns resultados de um estudo preliminar sobre o tipo de exercícios apresentados aos alunos portugueses, realizado por António Bivar, Carlos Santos e Luís M. Aires. A moderação esteve a cargo de João Nuno Tavares.

Andrei Toom

Andrei Toom (n. 1942), russo, é matemático e lecciona actualmente na Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, no Departamento de Estatística. Mestre (1968) e doutorado (1973) em Matemática pela Universidade Lomonosov de Moscovo (1968), na linhagem de Luzin e Kinchin, leccionou em vários países, nomeadamente no Brasil, nos Estados Unidos da América, em Itália e na Rússia.

É conhecido pelo seu trabalho excepcional na área de algoritmos (deve-se-lhe o algoritmo de Toom-Cook), por ser um dos criadores da teoria dos autómatos celulares e por diversas contribuições notáveis na teoria das probabilidades.

Uma das suas principais áreas de interesse é a educação matemática e a resolução de problemas. Publicou alguns artigos, como «A Russian Teacher in America», «From Russia with Math», «How I Teach Word Problems», «Word problems: Applications vs. Mental Manipulatives», «Between Childhood and Mathematics: Word Problems in Mathematical Education», sendo igualmente de destacar o manuscrito «Wars in American Mathematical Education».

António Bivar

António Manuel Reis de Bivar Weinholtz nasceu em Lisboa em 1955. É actualmente professor associado da Universidade Lusíada.

Concluiu o 3º ciclo do curso dos liceus no Liceu Normal de Pedro Nunes em 1972 com a classificação de 18 valores.


Licenciou-se em Matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) em 30 de Setembro de 1977 com a informação final de 19 valores.


Obteve o “Diplôme d´Etudes Approfondies de Analyse Numérique” na Universidade Pierre et Marie Curie (Paris VI) em 1978 e o grau de “Docteur de 3ème cycle en Analyse Numérique” pela mesma universidade em 1981, para o que defendeu uma tese intitulada “Formules de produit et demi-somme pour des opérateurs de type Schrödinger avec potentiel singulier complexe”. Em 1982, foi a este grau reconhecida a relevância com efeitos correspondentes em termos nacionais aos do grau português de mestre.


Concluiu as provas de doutoramento em Ciências (Análise e Geometria) na Universidade de Lisboa em 1982, tendo defendido uma tese intitulada “Operadores de Schrödinger com potenciais singulares” e tendo sido aprovado com distinção e louvor.

A partir de 1975, foi sucessivamente monitor, assistente estagiário, assistente, professor auxiliar e, de 1987 a 2009, professor associado do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, do qual foi presidente de Outubro de 1993 a Outubro de 1995. Aposentou-se da função pública em 2009.


Foi coordenador da área de Matemática para o Ensino do mestrado em Matemática no ano lectivo de 1998/99 e, sucessivamente, dos mestrados em Matemática para o Ensino e em Matemática para Professores de 2002 a 2009, tendo orientado diversas teses de mestrado nesta área.


É autor de trabalhos científicos resultantes da actividade de investigação desenvolvida na área da Teoria dos Operadores e de livros de texto nesta área e noutras no âmbito da Análise Matemática, destinados a alunos de licenciatura e de Mestrado.

Tem-se interessado pelo ensino e divulgação da Matemática nos diferentes níveis, tendo realizado diversas palestras e publicado textos de apoio para alunos e professores dos ensinos básico e secundário.

Michel Fayol

Michel Fayol é professor na Universidade Blaise Pascal em Clermont-Ferrand, França, na área da Psicologia Cognitiva. Lecciona Psicologia Cognitiva (aprendizagem e memória), Psicologia do Desenvolvimento (desenvolvimento da linguagem, numeracia, desenvolvimento da memória) e Psicolinguística (produção de textos, soletração). 

É doutor em Psicologia (1976) e em Letras e Ciências Humanas (1981) pela Universidade de Bordéus.  

Fundou, em 1984, o Laboratório de Estudo das Aprendizagens e do Desenvolvimento.
As suas principais áreas de investigação são os processos cognitivos em crianças e adultos, nomeadamente a produção escrita e a compreensão, a aquisição e o uso do número e a aquisição e o uso da soletração.